Pré-candidaturas de PT e PL para 2026 apontam disputa indireta e alianças regionais na maioria dos estados

Levantamento indica que o confronto entre os dois polos tende a ocorrer por meio de partidos aliados e composições locais, com poucos casos de embate direto

04/02/2026 às 07:48 por Redação Plox

A oito meses das eleições gerais de 2026, o desenho das pré-candidaturas nos estados indica que o duelo entre PT e PL, protagonistas da política nacional, tende a ocorrer, na maior parte do país, de forma indireta. Em vez de confrontos frontais, as duas siglas avançam sobre alianças regionais e lançam nomes de partidos aliados para ocupar espaço nos principais colégios eleitorais.

O primeiro turno das eleições será em 4 de outubro; o segundo turno, se houver, será no dia 25 do mesmo mês

O primeiro turno das eleições será em 4 de outubro; o segundo turno, se houver, será no dia 25 do mesmo mês

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


São Paulo concentra disputa por aliados

Em São Paulo, maior eleitorado do país, o embate se dará com a oposição representada pelo Republicanos, por meio do governador Tarcísio de Freitas, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda não definiu seu nome. Lula tenta convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a repetir a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Em 2018, Tarcísio venceu o petista com 55,34% dos votos, contra 44,66% de Haddad.

O PL não deve lançar candidatura própria ao governo paulista e tende a apoiar, para uma das vagas ao Senado, o pré-candidato Guilherme Derrite (PP). Do lado governista, o PT mantém indefinição sobre os nomes para a Casa Alta, em meio a conversas que envolvem as ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB).

Minas, Rio e Bahia replicam embate terceirizado

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, a mesma lógica de embate terceirizado se repete. Embora PT e PL ainda não tenham oficializado pré-candidatos ao governo, lideranças dos dois campos cortejam nomes como os dos senadores Rodrigo Pacheco (PSD) e Cleitinho Azevedo (Republicanos).

No Rio de Janeiro, o cenário é ainda mais emblemático. O prefeito Eduardo Paes (PSD) surge como principal nome governista para o Palácio Guanabara, enquanto o PT concentra esforços na disputa ao Senado, com a pré-candidatura da deputada Benedita da Silva. No campo oposicionista, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) é cogitado para a disputa ao governo, sem que o PL lidere a chapa. O partido de Bolsonaro mira as vagas ao Senado e avalia diferentes nomes, entre eles o deputado federal Sóstenes Cavalcante.

Na Bahia, governada pelo PT há quase duas décadas, a sigla deve montar uma chapa pura. O governador Jerônimo Rodrigues busca a reeleição, enquanto Rui Costa, ministro da Casa Civil, e Jaques Wagner, líder do governo no Senado, são cotados para o Senado. Do outro lado, o PL evita encabeçar a chapa e se alinha a ACM Neto (União Brasil), lançando o ex-ministro João Roma como pré-candidato ao Senado.

Casos de confronto direto são minoria

O Rio Grande do Sul é um dos poucos estados em que o enfrentamento pode ocorrer de forma mais direta. O PT avalia o nome do ex-deputado Edegar Pretto para o governo e o do deputado Paulo Pimenta para o Senado, enquanto o PL deve lançar o deputado federal Luciano Zucco para disputar o Palácio Piratini.

No Paraná, a polarização também evita um duelo aberto entre PT e PL. O partido de Lula trabalha a pré-candidatura da ministra Gleisi Hoffmann ao Senado, enquanto o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil), hoje senador, lidera articulações oposicionistas para o governo estadual, com apoio de setores bolsonaristas.

Nordeste: foco em reeleições e Senado

Em Pernambuco, o PT volta a priorizar o Senado, com Humberto Costa como pré-candidato à reeleição. A disputa pelo governo tende a ter como favorito o prefeito do Recife, João Campos (PSB), embora persista impasse com a governadora Raquel Lyra (PSD). O PL ainda não apresentou nomes competitivos para a disputa estadual.

No Ceará, o governador Elmano de Freitas (PT) tenta consolidar a reeleição com apoio do ministro Camilo Santana, uma das principais lideranças petistas no estado. O deputado federal José Guimarães aparece como possível candidato ao Senado. A oposição se organiza em torno do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), sem que o PL assuma a cabeça de chapa.

No Piauí, o governador Rafael Fonteles (PT) surge como favorito à reeleição, sem um nome competitivo do PL no horizonte. Situação semelhante ocorre no Rio Grande do Norte, onde o PT aposta na governadora Fátima Bezerra para o Senado, enquanto a oposição se articula em torno do ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos).

Sul e Centro-Oeste: PL mira Senado e alianças

No Sul e no Centro-Oeste, o PL concentra esforços sobretudo na disputa ao Senado. Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello (PL) deve buscar a reeleição, em um dos poucos exemplos em que o partido lidera a chapa majoritária. Em Goiás, a sigla acertou a pré-candidatura do deputado Gustavo Gayer ao Senado, em aliança com o União Brasil, que lança a primeira-dama Gracinha Caiado.

Em Mato Grosso, Alagoas e Tocantins, o PL estuda lançar candidatos ao governo — Wellington Fagundes, João Henrique Caldas e Eduardo Gomes, respectivamente. O PT, por sua vez, atua de forma discreta ou aposta em composições com MDB, PSD e União Brasil.

Regiões Norte e cenário ainda em aberto

No Amazonas, o embate também se desenha de maneira indireta. O senador Omar Aziz (PSD) é cotado como possível nome governista, enquanto o PL aposta no deputado Capitão Alberto Neto para a disputa ao Executivo estadual.

Esses quadros ainda são tratados como possibilidades. Muitas das pré-candidaturas não foram oficializadas, e as negociações seguem nos bastidores até o início formal da campanha, marcado para 15 de agosto. Até lá, alianças podem ser redesenhadas, nomes confirmados ou abandonados, e o mapa eleitoral permanece em aberto.

Mesmo assim, o panorama atual indica que, ao contrário da retórica em Brasília, PT e PL evitam o confronto direto na maior parte dos estados. A disputa pelo poder se dá por meio de alianças pragmáticas e chapas híbridas, em que o embate ideológico é diluído em arranjos regionais e cálculos de viabilidade eleitoral.

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