ANP autoriza Petrobras a retomar perfuração na Foz do Amazonas após vazamento de fluido
Retorno no poço Morpho, a 175 km da costa do Amapá, depende de exigências como troca de vedação e treinamento da equipe
04/02/2026 às 17:46por Redação Plox
04/02/2026 às 17:46
— por Redação Plox
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A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a Petrobras a retomar a perfuração de um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas. A operação havia sido paralisada no início do ano após um vazamento de fluido de perfuração, segundo documento obtido pela Reuters.
Imagem ilustrativa
Foto: Freepik
Considerando as análises técnicas realizadas e as medidas mitigadoras propostas pela Petrobras, concluiu-se não haver óbice [empecilho] ao retorno das atividades de perfuração no referido poço, a partir do recebimento deste ofício
ANP
De acordo com a ANP, a retomada está condicionada ao cumprimento de exigências pela companhia. Entre elas estão a substituição de todos os elementos de vedação usados nas conexões da tubulação por onde circulam os fluidos e o treinamento de todos os trabalhadores envolvidos no procedimento.
Vazamento interrompeu operação em janeiro
A Petrobras interrompeu, em 6 de janeiro, a perfuração na Foz do Amazonas após identificar perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que conectam o navio-sonda ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.
Segundo a estatal, o vazamento foi identificado em 4 de janeiro, um domingo, e imediatamente contido e isolado. A operação foi suspensa para que as tubulações fossem trazidas à superfície, avaliadas e reparadas. O Ibama foi comunicado e informou que não houve vazamento de petróleo.
O material liberado foi o fluido de perfuração, conhecido como “lama”, utilizado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. Trata-se de um fluido à base de água, com aditivos de baixa toxicidade, comum em perfurações marítimas.
Em nota divulgada na época, a companhia afirmou ter adotado todas as medidas de controle e notificado os órgãos competentes. A Petrobras acrescentou que o fluido atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, sem risco ao meio ambiente ou à população.
Perfuração na Margem Equatorial
Em outubro de 2025, o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar um poço em águas profundas na região da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, faixa marítima que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. O aval é exclusivo para pesquisa exploratória.
A atividade na região é alvo de críticas de ambientalistas, enquanto especialistas em petróleo destacam a importância do potencial da área para a produção futura. A perfuração conduzida pela estatal começou logo após a autorização do Ibama, com previsão de duração de cerca de cinco meses.
Nesta fase, não há produção de petróleo: trata-se apenas de pesquisa exploratória. Os efeitos concretos da iniciativa só poderão ser avaliados após a conclusão desse período.
De acordo com a Petrobras, o trabalho tem como objetivo coletar dados geológicos para verificar a presença de petróleo e gás em escala comercial.
Localização e características da área
A perfuração é realizada no bloco FZA-M-059, em mar aberto, a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá e 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas, em uma área de águas profundas.
A região está no extremo oeste da Margem Equatorial brasileira e tem cerca de 268 mil km², segundo a petroleira. A área abrange a plataforma continental, o talude e a zona de águas profundas, até o limite entre as crostas continental e oceânica.
A Margem Equatorial é apontada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) como uma das novas fronteiras de exploração de petróleo e gás no Brasil, com potencial para se tornar um novo “pré-sal”.
Potencial de produção na Foz do Amazonas
O governo estima que a Margem Equatorial possa reunir reservas capazes de sustentar a produção de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia, volume superior à capacidade dos dois principais campos da Bacia de Santos: Tupi, com cerca de 850 mil barris diários, e Búzios, que ultrapassou 900 mil barris por dia.
Segundo o MME, isso poderia permitir a extração de até 10 bilhões de barris de petróleo na região. Atualmente, o Brasil dispõe de reservas comprovadas de 16,8 bilhões de barris, suficientes, segundo essas projeções, para manter o país sem necessidade de importar petróleo até 2030.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Bacia da Foz do Amazonas tenha um volume recuperável de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente. A estimativa integra um estudo voltado à análise das bacias sedimentares brasileiras.