Ex-diretor do Banco Central e ex-servidor são alvos de operação da PF ligada à prisão de Vorcaro
Terceira fase da Operação Compliance Zero cumpre mandados de prisão e de busca em SP e MG; investigação apura suspeitas relacionadas ao caso do Banco Master e tem ordens expedidas pelo STF
04/03/2026 às 09:07por Redação Plox
04/03/2026 às 09:07
— por Redação Plox
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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (4) a 3ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, ameaça e invasão de dispositivos informáticos. A ação ocorre em São Paulo e Minas Gerais e está ligada ao caso do Banco Master, que já havia resultado na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro em etapas anteriores da apuração.
Sede do Banco Central
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Ex-diretor do BC e ex-servidor entram na mira da PF
No foco desta nova etapa estão um ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-servidor Bellini Santana, citados em reportagens desta manhã como alvos de mandados de busca e apreensão no contexto das suspeitas de fraudes atribuídas ao Banco Master. A Polícia Federal, em seu comunicado oficial, não detalha nomes dos investigados.
A apuração sobre o ex-diretor do Banco Central e o ex-servidor ocorre na mesma investigação que prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro, mantendo o caso Banco Master no centro das diligências policiais e judiciais.
Mandados, bloqueio bilionário e apoio do STF e BC
De acordo com a PF, a 3ª fase da operação cumpre 4 mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. Também foram determinadas medidas de afastamento de cargos públicos e de sequestro e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões.
A corporação informa que as ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e que as investigações contaram com apoio do Banco Central do Brasil. Há, porém, informação ainda em apuração sobre o detalhamento individual dos alvos e os endereços específicos das diligências.
Organização criminosa e apuração interna no Banco Central
Em nota, a PF afirma que a 3ª fase da Operação Compliance Zero busca esclarecer a atuação de uma organização criminosa em crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. Segundo a corporação, o bloqueio de bens pretende interromper a movimentação de ativos e preservar valores potencialmente ligados às práticas investigadas.
Paralelamente, o Banco Central abriu uma investigação interna (sindicância) para analisar o crescimento acelerado e a posterior liquidação do Banco Master. Essa apuração é conduzida pela corregedoria do órgão e, conforme divulgado anteriormente, não tem prazo definido para conclusão.
Efeitos para clientes, mercado e Minas Gerais
Para clientes e investidores, a nova fase da operação indica que o caso Banco Master continua em desdobramento e pode resultar em novas decisões judiciais e administrativas. Quem tem ações, créditos ou contratos relacionados ao banco deve acompanhar atentamente as decisões e comunicados oficiais.
Do ponto de vista do sistema financeiro, o bloqueio de até R$ 22 bilhões sinaliza tentativa de preservar recursos para eventual ressarcimento ou recuperação de ativos, de acordo com o que vier a ser definido pela Justiça ao longo do processo.
Em Minas Gerais, a confirmação de diligências coloca o estado no mapa operacional da investigação e mantém o tema em evidência regional, uma vez que Daniel Vorcaro é associado ao mercado financeiro e à praça de Belo Horizonte em coberturas anteriores sobre o caso.
Próximos passos da investigação
Com o cumprimento das buscas e das prisões, a expectativa é que a PF consolide laudos e análises de documentos, dispositivos e registros financeiros apreendidos, para então encaminhar relatórios ao STF.
O Banco Central deve seguir com a sindicância interna já anunciada, voltada a revisar procedimentos e reforçar mecanismos de supervisão e governança.
A apuração seguirá acompanhando possíveis novas prisões ou solturas, o eventual detalhamento oficial sobre os alvos citados pela imprensa, futuras manifestações de defesa dos investigados e impactos diretos para as instituições envolvidas e para o mercado financeiro.