Governo do RJ exonera subsecretário após filho ser acusado de estupro coletivo em Copacabana
Jovens de 18 anos são investigados por crime contra adolescente de 17; dois estão foragidos e Justiça negou habeas corpus a três acusados
04/03/2026 às 08:56por Redação Plox
04/03/2026 às 08:56
— por Redação Plox
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O governo do Rio de Janeiro exonerou nesta terça-feira (3) o subsecretário de Governança, Compliance e Gestão da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, José Carlos Simonin. Ele é pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, um dos acusados de participar do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na zona sul da capital.
Vitor Hugo está foragido, assim como Bruno Felipe dos Santos Allegretti, também de 18 anos. Outros dois investigados, Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, se apresentaram à polícia nesta terça-feira, acompanhados de advogados.
Acionado por meio da assessoria do governo, José Simonin não respondeu se pretende auxiliar na apresentação do filho às autoridades, e não foi localizado diretamente pela reportagem. Como o processo corre sob sigilo, a defesa de Vitor Hugo também não foi encontrada.
José Carlos Simonin era subsecretário de Governança, Compliance e Gestão da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.
Foto: Reprodução / Polícia Civil / Redes Sociais.
Posicionamento da Secretaria
Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos informou que a exoneração de José Carlos Simonin ocorreu no âmbito administrativo, com o objetivo de resguardar a integridade institucional e assegurar a condução responsável dos fatos noticiados.
A pasta acrescentou que as investigações seguem sob responsabilidade das autoridades competentes e reafirmou compromisso com a dignidade humana e a preservação da vida.
Trajetória de José Carlos Simonin
De acordo com currículo disponível no site do governo do Rio, José Carlos Simonin é advogado, membro titular do Conselho Gestor do Fundo de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais e do Conselho Gestor do Fundo Estadual de Investimentos e Ações de Segurança Pública e Desenvolvimento Social. Ele também é vice-presidente do Conselho Estadual de Assistência Social e participou da elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico e Social.
Na noite de segunda-feira, a secretária estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Rosângela Gomes, usou as redes sociais para comentar o caso. Segundo o relato, ela afirmou ter recebido com “profunda indignação e tristeza” a informação de que um dos suspeitos é filho do então subsecretário e declarou que “jamais compactuaria com qualquer ato que fira a dignidade feminina”.
Como foi o crime em Copacabana
O crime foi registrado em 31 de janeiro. Segundo a acusação, um adolescente de 17 anos, ex-namorado da vítima, teria atraído a jovem para um apartamento em Copacabana. Já dentro do quarto, enquanto os dois mantinham relações, ela foi atacada pelos demais presentes, todos maiores de idade.
O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física, incluindo ferimentos na região genital, sangue no canal vaginal e hematomas nas costas e nos glúteos. A adolescente relatou ainda ter sido agredida com socos e tapas enquanto os jovens se revezavam no ato.
Ação da defesa e decisão da Justiça
A defesa de João Gabriel Xavier Bertho, representada pelo advogado Rafael De Piro, nega as acusações. Sustenta que mensagens de texto comprovariam que a jovem sabia da presença prévia dos outros rapazes no local e que ela teria consentido inicialmente com a permanência deles no quarto durante o encontro íntimo com o amigo.
Nessa segunda-feira (2), a Justiça do Rio de Janeiro negou habeas corpus a três dos quatro homens acusados de participar do crime. O desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal, indeferiu os pedidos apresentados pelas defesas.
Novas denúncias contra os investigados
Após a repercussão do caso envolvendo a adolescente de 17 anos, duas novas denúncias de estupro foram registradas contra alguns dos mesmos acusados. Uma delas, feita na 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana), relata abuso supostamente ocorrido em 2023, quando a vítima tinha 14 anos.
De acordo com o registro, três dos cinco envolvidos no episódio de janeiro também teriam participado desse crime anterior, repetindo uma dinâmica semelhante para atrair a adolescente a um apartamento.