Lula cobra ações da ONU e critica ‘Conselho da Paz’ proposto por Trump

Em discurso em Brasília, presidente disse que a ONU estaria “desacreditada” por não convocar uma conferência mundial sobre as guerras e voltou a atacar a proposta atribuída a Donald Trump, citando o debate sobre a reconstrução de Gaza.

04/03/2026 às 18:26 por Redação Plox

Em discurso em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar ações mais efetivas da Organização das Nações Unidas (ONU) diante de conflitos internacionais e reiterou críticas ao “Conselho da Paz” idealizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A fala ocorreu durante evento ligado à FAO, agência da ONU para Alimentação e Agricultura, e reforça a posição do Planalto em defesa do multilateralismo e de mudanças na governança global.

Lula questiona falta de ação da ONU

De acordo com relatos publicados nesta quarta-feira (04/03/2026), Lula afirmou que a ONU estaria “desacreditada” e que não vem cumprindo o papel definido em sua carta de criação, ao não abrir espaço para “os senhores da paz” em meio à escalada de guerras. Ele também questionou a ausência de uma conferência mundial convocada pela organização para discutir os conflitos em curso.

Lula afirmou que não é normal que um presidente, como é o caso de Trump, se gabe de seu poder bélico.

Lula afirmou que não é normal que um presidente, como é o caso de Trump, se gabe de seu poder bélico.

Foto: Presidência


Ao abordar propostas em debate no cenário internacional, o presidente direcionou críticas ao “Conselho da Paz” sugerido por Trump, relacionando a iniciativa à ideia de “reconstrução” de Gaza após um cenário de destruição e mortes de civis. Segundo os relatos, Lula recorreu à comparação com um “resort” em meio à guerra para ilustrar o contraste entre as condições no território e o tipo de projeto apresentado.

As declarações se somam a manifestações anteriores do presidente brasileiro, que já havia afirmado, em janeiro, que Trump buscaria “criar uma nova ONU” sob sua própria liderança, em vez de apoiar mudanças nas instituições já existentes.

Críticas ao “Conselho da Paz” e à governança global

Em janeiro de 2026, a Agência Brasil registrou que Lula via a proposta do “Conselho da Paz” como uma tentativa de instituir “uma nova ONU” com comando concentrado, substituindo a agenda de reforma dos organismos atuais. O Brasil tem defendido há anos a necessidade de mudanças na estrutura multilateral, em especial no Conselho de Segurança, tema recorrente na política externa brasileira.

Nesta quarta-feira (04/03), veículos como Rádio Itatiaia e CNN Brasil noticiaram a repercussão do novo discurso, destacando que Lula articulou críticas tanto à falta de resposta mais robusta da ONU quanto ao conselho proposto por Trump. As falas foram contextualizadas no debate internacional sobre Gaza e na disputa em torno de quem conduz iniciativas de paz e de reconstrução em zonas de conflito.

Repercussões para o Brasil e para a política externa

No plano interno, as declarações aumentam a pressão sobre o governo brasileiro para definir, de forma clara, como pretende se posicionar diante do órgão proposto por Trump — um tema considerado sensível no Itamaraty e no Palácio do Planalto.

Na arena internacional, o discurso de Lula reforça a estratégia de defender a reforma e o fortalecimento de organismos multilaterais, em contraposição à criação de estruturas paralelas lideradas por uma única potência. A crítica ao “Conselho da Paz” mantém o eixo central da mensagem do governo: mudanças na governança global devem ocorrer dentro da ONU, não à margem dela.

Internamente, a fala tende a ecoar no Congresso e entre oposicionistas e aliados, já que envolve críticas diretas aos Estados Unidos e ao atual desenho de poder na gestão de crises internacionais.

Próximos movimentos diplomáticos

Entre os desdobramentos esperados, está o acompanhamento de uma possível nota oficial do Itamaraty ou do Palácio do Planalto detalhando a posição brasileira sobre o “Conselho da Paz”. Também deve ser monitorada a reação do governo dos EUA e de outros países convidados para integrar o novo órgão.

Outro ponto de atenção é se o tema será incorporado à agenda de encontros diplomáticos do Brasil nas próximas semanas, especialmente em fóruns multilaterais ligados à ONU, mantendo em foco a crítica de Lula à falta de ações da organização e à proposta de conselho liderado por Trump.

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