Simone Tebet diz que fim da escala 6×1 não quebrará o Brasil

Ministra rebateu temor de crise econômica em evento em São Paulo e defendeu que eventual mudança na jornada ocorra sem redução de salários, citando estudos internos do governo sobre a viabilidade.

04/03/2026 às 08:29 por Redação Plox

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), afirmou em São Paulo que o fim da escala de trabalho 6×1 — seis dias trabalhados para um de descanso — não levaria o país a uma crise econômica. A posição foi apresentada durante a abertura da II Conferência Nacional do Trabalho, encontro que reúne representantes do governo, de trabalhadores e de empregadores para discutir diretrizes de políticas públicas para o mundo do trabalho.

Simone Tebet, ministra do Planejamento

Simone Tebet, ministra do Planejamento

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil


Tebet rebate discurso de crise com mudança na jornada

Na terça-feira, 3 de março de 2026, Tebet contestou argumentos contrários ao fim da escala 6×1 e classificou como distorcida a ideia de que o Brasil “vai quebrar” caso a mudança seja implementada. Em falas registradas por veículos de imprensa, a ministra defendeu que uma eventual alteração seja feita sem redução de salário e mencionou a existência de estudos dentro do governo que apontariam para a viabilidade da medida.

A declaração insere o tema no centro da agenda trabalhista do governo ao longo da semana da conferência, realizada de 3 a 5 de março na capital paulista. Organizado no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego, o encontro integra um processo nacional de debates iniciado em 2025 sobre condições de trabalho, jornada e proteção social.

Conferência discute diretrizes para o trabalho decente

De acordo com página oficial do Ministério do Trabalho e Emprego, a II Conferência Nacional do Trabalho é apresentada como um espaço “democrático e participativo”, com presença de representantes de trabalhadores, empregadores e governo. O objetivo é formular diretrizes para a promoção do trabalho decente e para políticas públicas de emprego.

Nesse contexto, a discussão sobre superar a lógica da escala 6×1 aparece ligada a temas como jornada máxima semanal, descanso adequado e preservação de renda. A intervenção de Tebet reforça a mensagem de que a mudança é tratada pelo governo como possível sem provocar desequilíbrio macroeconômico imediato, condicionada a desenho de transição e negociação com o setor produtivo.

Escala 6×1 entra na lista de prioridades do governo

No Congresso, o debate também está no radar de 2026. Registros da Agência Senado indicam que o governo incluiu o fim da escala 6×1 entre as prioridades legislativas apresentadas na abertura do ano legislativo, sinalizando intenção política de avançar na discussão.

Em paralelo, a Rádio Senado destacou a tramitação da PEC 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS). A proposta prevê a redução gradual da jornada semanal máxima até 36 horas, sem perda salarial, além de abrir espaço para a discussão sobre ampliação do descanso semanal. Esses pontos dialogam com o objetivo de rever modelos baseados em jornadas intensas e escalas contínuas, frequentemente associados ao 6×1.

Possíveis impactos para trabalhadores e empresas

Especialmente em setores como comércio, serviços, segurança, alimentação, saúde e logística, o fim da escala 6×1 pode significar mais dias de descanso semanal e reorganização profunda das jornadas. Para trabalhadores, o debate abre a possibilidade de novas regras de descanso e de compensação de horas, com efeitos sobre saúde, conciliação entre vida pessoal e profissional e produtividade.

Para empresas, qualquer alteração na legislação tende a exigir replanejamento de turnos, revisão de escalas, eventuais contratações, ajustes em banco de horas e negociação coletiva. O impacto varia conforme o porte e o ramo de atividade, mas o governo tenta sustentar a mensagem de que a transição é “viável” e não precisa se apoiar em redução de remuneração, contrapondo-se ao argumento de que a economia não suportaria o fim da escala 6×1.

Tramitação legislativa e próximos passos

No curto prazo, a II Conferência Nacional do Trabalho segue em São Paulo até 5 de março, com a expectativa de consolidar propostas e diretrizes debatidas entre governo, trabalhadores e empregadores. As recomendações da conferência devem alimentar negociações futuras sobre mudanças na jornada e na organização do trabalho.

No Legislativo, a pauta permanece vinculada a propostas em tramitação e à articulação política para votação de medidas que possam alterar a estrutura atual da jornada. A tendência é que o tema avance por meio de negociações, audiências públicas e construção de maioria, já que envolve mudanças de grande impacto econômico e social.

Até o momento, não há, nas fontes consultadas, um cronograma fechado para votação imediata de uma proposta única que encerre a escala 6×1. O cenário segue em aberto e dependente do andamento das PECs relacionadas e da capacidade de o governo transformar em texto legislativo a ideia central defendida por Simone Tebet: o fim da escala 6×1, sem corte de salários, não “quebra” o Brasil.

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