Brasil bate recorde de produção de petróleo e gás em março, diz ANP

Total chegou a 5,531 milhões de barris de óleo equivalente por dia, com alta do petróleo e do gás na comparação com fevereiro e com março de 2025; pré-sal respondeu por 79,9% do volume.

04/05/2026 às 16:37 por Redação Plox

Em um cenário de pressão sobre a oferta global de petróleo, afetada pela guerra no Irã, o Brasil atingiu em março um novo recorde de produção de petróleo e gás. No mês, o país produziu 5,531 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), segundo dados divulgados nesta segunda-feira (4) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O resultado superou o recorde anterior, registrado em fevereiro, quando a produção havia somado 5,304 milhões de boe/d. A marca foi alcançada no mesmo mês que coincidiu com o início do conflito, desencadeado por ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã.

A unidade boe padroniza volumes de petróleo e gás natural, convertendo o gás para o valor energético equivalente ao de um barril de petróleo bruto, o que permite somar as duas produções.


Brasil bate recorde de produção petróleo e gás no mês de Março.

Foto: Divulgação/Agência Brasil


Óleo e gás avançam em relação a fevereiro e a 2025

Considerando os volumes separadamente, a extração de petróleo chegou a 4,247 milhões de barris por dia em março, alta de 4,6% ante fevereiro e de 17,3% na comparação com março de 2025.

Já a produção de gás natural foi de 204,11 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), crescimento de 3,3% em relação ao mês anterior e de 23,3% frente ao mesmo período do ano passado.

Pré-sal responde por quase 80% da produção brasileira

O boletim mensal da ANP mostra que a produção de óleo cru e gás no pré-sal somou 4,421 milhões de boe/d em março, também em nível recorde. O volume avançou 3,6% sobre fevereiro e 19% em relação a março de 2025.

Com poços produtivos a cerca de 2 mil metros de profundidade da lâmina d’água, o pré-sal respondeu por 79,9% da produção brasileira.

Entre os campos, Búzios, na Bacia de Santos, no litoral do Sudeste, liderou a produção de petróleo, com 886,43 mil barris por dia. No gás natural, o maior volume foi registrado em Mero, também no pré-sal de Santos, com 42,06 milhões de m³/d.

Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio, responderam por 88,23% de tudo o que foi extraído no mês. A plataforma Almirante Tamandaré, em Búzios, foi a estrutura que mais contribuiu para a extração, com 186 mil barris de petróleo por dia.

Novo reforço de produção entra em maio

Para maio, a expectativa é de reforço na produção. Na última sexta-feira (1º), a Petrobras informou o início da produção da plataforma P-79, ancorada em Búzios, com o começo das operações antecipado em três meses.

A unidade tem capacidade para produzir 180 mil barris de óleo e compressão de gás de 7,2 milhões de metros cúbicos (m³) por dia.

Guerra e bloqueio em Ormuz elevam preços internacionais

Após o início da guerra no Oriente Médio, a Petrobras passou a buscar aumento da produção de óleo e gás no país, com o objetivo de reduzir a dependência do mercado externo.

Com o conflito, o transporte de óleo sofreu interrupções no Estreito de Ormuz, passagem marítima no sul do Irã que liga os golfos Pérsico e de Omã. Antes da guerra, cerca de 20% da produção mundial de petróleo passava pela região. O bloqueio tem sido uma das retaliações exercidas pelo Irã.

Com menos petróleo circulando na cadeia logística, os preços do barril e dos derivados aceleraram nos últimos dois meses. No período, o Brent — referência internacional — subiu de aproximadamente US$ 70 para US$ 114.

Como o petróleo é uma commoditie negociada em preços internacionais, a escassez tende a elevar valores também em países produtores, como o Brasil. Diante da alta, o governo brasileiro informou iniciativas para conter a escalada dos derivados, incluindo isenção de cobrança de impostos e subsídios a produtores e importadores.

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