Suspeita de surto de hantavírus em cruzeiro deixa três mortos; navio é isolado em Cabo Verde

A OMS monitora a situação no MV Hondius, que está com 149 pessoas a bordo; desembarque e triagem dependem de autorização das autoridades sanitárias locais.

04/05/2026 às 14:59 por Redação Plox

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha a suspeita de um surto de hantavírus em um navio de cruzeiro que navegava pelo Oceano Atlântico. Até agora, três pessoas morreram e pelo menos outras três estão doentes — uma delas em terapia intensiva.

A operadora de turismo Oceanwide Expeditions, responsável pela embarcação MV Hondius, confirmou que enfrenta uma situação médica grave a bordo. Uma variante do hantavírus foi identificada no paciente que permanece internado. 


O navio MV Hondius navegava da Argentina para Cabo Verde.

Foto: Divulgação/BBC


Além disso, há atualmente dois tripulantes a bordo com sintomas respiratórios agudos, um leve e outro grave. Ambos necessitam de cuidados médicos urgentes
Oceanwide Expeditions

A embarcação segue isolada na costa de Cabo Verde. Ao todo, há 149 pessoas a bordo, de 23 nacionalidades — nenhuma delas brasileira. O desembarque de passageiros, o atendimento médico e a triagem dependem de autorização das autoridades sanitárias locais.

O que é o hantavírus

Segundo a OMS, os hantavírus são vírus zoonóticos que infectam naturalmente roedores e, ocasionalmente, podem ser transmitidos a humanos. A infecção pode levar a quadros graves e, com frequência, à morte, embora as manifestações clínicas variem conforme o tipo de vírus e a localização geográfica.

Nas Américas, a infecção é associada à síndrome cardiopulmonar por hantavírus, uma condição de progressão rápida que atinge os pulmões e o coração. Já na Europa e na Ásia, os hantavírus são relacionados à febre hemorrágica com síndrome renal, que afeta principalmente os rins e os vasos sanguíneos. 


Os hantavírus que causam a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS) são transmitidos pelas fezes de roedores.

Foto: BSIP/UIG Via Getty Images


Como o vírus é classificado

Os hantavírus pertencem à família Hantaviridae. Em geral, cada tipo está associado a uma espécie específica de roedor reservatório, no qual a infecção tende a ser de longa duração e sem sinais aparentes de doença.

Embora diversas espécies de hantavírus tenham sido identificadas no mundo, apenas um número limitado é conhecido por causar doença em humanos. A OMS destaca que o vírus Andes, também da família Hantaviridae, é o único com registro de transmissão limitada de pessoa para pessoa entre contatos próximos e prolongados, com casos documentados na Argentina e no Chile.

Formas de transmissão e situações de risco

A transmissão para humanos ocorre pelo contato com urina, fezes ou saliva contaminadas de roedores infectados. Mais raramente, também pode acontecer por mordida de roedores.

Atividades que aumentam o risco de exposição incluem limpeza de locais fechados ou pouco ventilados, agricultura, trabalho florestal e dormir em residências infestadas por roedores. De acordo com a OMS, quando há transmissão entre pessoas, ela tem sido associada a contato próximo e prolongado — especialmente entre familiares ou parceiros íntimos — e parece ser mais provável na fase inicial da doença.

Sintomas e evolução clínica

Em humanos, os sintomas costumam surgir entre uma e seis semanas após a exposição. Os sinais mais comuns incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, náuseas ou vômitos.

Na síndrome cardiopulmonar por hantavírus, o quadro pode evoluir rapidamente para tosse, falta de ar, acúmulo de líquido nos pulmões e choque. Já na síndrome hemorrágica com insuficiência renal, estágios avançados podem incluir hipotensão, distúrbios hemorrágicos e insuficiência renal.

Diagnóstico e confirmação laboratorial

A OMS afirma que o diagnóstico precoce pode ser difícil, já que os sintomas iniciais se parecem com os de outras doenças febris ou respiratórias, como gripe, covid-19, pneumonia viral, leptospirose, dengue ou sepse.

A confirmação laboratorial depende de testes sorológicos para identificar anticorpos específicos contra hantavírus, além de métodos moleculares na fase aguda, quando o RNA viral pode ser detectado no sangue.

Tratamento e medidas de prevenção

Não existe tratamento específico para os quadros causados por hantavírus. A OMS ressalta que o atendimento médico precoce é fundamental para melhorar a sobrevida, com foco em monitoramento clínico rigoroso e controle de complicações.

A prevenção se baseia principalmente em reduzir o contato entre pessoas e roedores. Entre as medidas indicadas pela OMS estão manter casas e locais de trabalho limpos, vedar aberturas que permitam a entrada de roedores, armazenar alimentos de forma segura e adotar práticas adequadas de limpeza em áreas contaminadas.

A orientação inclui evitar varrer ou aspirar fezes de roedores a seco e umedecer áreas contaminadas antes da limpeza. Em situações de surto ou suspeita de casos, a OMS também destaca a importância da identificação e do isolamento precoces, do monitoramento de contatos próximos e da aplicação de medidas padrão de prevenção de infecções para reduzir a propagação.

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