Investigado no caso Banco Master, Luiz Phillipi Mourão morre na prisão; caso é de suspeita de suicídio
Conhecido como “Sicário”, ele estava internado no Hospital João XXIII, em MG; PF abrirá investigação interna e enviará vídeos ao STF
Desvendar os mecanismos da longevidade ocupa a ciência e a medicina há séculos. Já se sabe que uma vida longa e saudável depende diretamente dos hábitos, mas novas evidências sugerem que a perspectiva de quantos anos ainda se tem pela frente também pode estar registrada no sangue.
Imagem ilustrativa
Foto: Freepik
Uma pesquisa publicada na revista científica Aging Cell indica que um simples exame de sangue pode ajudar a prever a probabilidade de sobrevivência de uma pessoa em curto prazo. O trabalho aponta pequenas moléculas de RNA, conhecidas como piRNAs, como possíveis marcadores da chance de adultos idosos viverem por pelo menos mais dois anos.
No estudo, os pesquisadores identificaram que combinações específicas de piRNAs funcionam como um forte indicador de sobrevivência em idosos. Segundo a autora sênior do trabalho, Virginia Byers Kraus, professora nos departamentos de Medicina, Patologia e Cirurgia Ortopédica da Duke University School of Medicine, foi uma surpresa que esse sinal tenha surgido a partir de um exame de sangue relativamente simples.
A combinação de apenas alguns piRNAs foi o indicador mais forte de sobrevivência em dois anos em adultos mais velhos — mais forte do que idade, hábitos de vida ou qualquer outra medida de saúde que examinamos
Kraus
Os resultados sugerem que essas moléculas podem carregar informações biológicas cruciais sobre o estado geral do organismo, complementando dados tradicionais de saúde.
Para chegar às conclusões, a equipe analisou amostras de sangue de adultos com 71 anos ou mais, avaliando a presença de piRNAs em cada caso. A investigação contou com o apoio de inteligência artificial para processar um grande volume de informações: foram considerados 187 fatores clínicos e 828 trechos de RNA, extraídos de mais de 1.200 amostras.
Os modelos gerados revelaram que um conjunto de seis piRNAs conseguiu prever a sobrevivência em dois anos com precisão de até 86%. Os participantes que viveram por mais tempo apresentavam níveis mais baixos dessas moléculas, repetindo um padrão já observado em organismos mais simples, nos quais a redução de piRNAs está associada ao aumento da longevidade.
Quando essas moléculas estão em quantidades mais altas, isso pode sinalizar que algo no organismo está fora do rumo. Entender o porquê pode abrir novas possibilidades para terapias que promovam o envelhecimento saudável
Kraus
A partir disso, os pesquisadores compararam a presença das moléculas com outros indicadores de saúde amplamente utilizados na prática clínica.
O grupo avaliou dois cenários diferentes: a sobrevivência de curto prazo e a de longo prazo. Nas análises de curto prazo, os piRNAs se mostraram mais precisos do que parâmetros clássicos.
Para prever a sobrevivência em um intervalo de dois anos, as moléculas de RNA superaram idade, níveis de colesterol, atividade física e mais de 180 outras medidas clínicas.
Na projeção de longo prazo, fatores de estilo de vida — como hábitos alimentares e prática de exercícios — ganharam maior peso na previsão de desfechos, mas os piRNAs continuaram oferecendo informações consideradas valiosas sobre a biologia do corpo humano.
Segundo Kraus, os próximos passos incluem investigar se tratamentos, mudanças de estilo de vida ou medicamentos podem alterar os níveis de piRNAs no sangue. A equipe também pretende comparar esses níveis no sangue com aqueles encontrados em tecidos, para entender melhor a função dessas moléculas no organismo.
Estamos apenas começando a entender o quão poderosos eles são. Esta pesquisa sugere que devemos ser capazes de identificar o risco de sobrevivência de curto prazo usando um exame de sangue prático e minimamente invasivo – com o objetivo final de melhorar a saúde à medida que envelhecemos
o pesquisador
Embora o exame se mostre promissor como ferramenta para estimar o risco de sobrevivência em curto prazo, ele não substitui o papel central dos hábitos de vida na promoção de um envelhecimento saudável.
De forma geral, pesquisadores e especialistas reforçam que, mesmo com o avanço de testes sofisticados, o caminho mais consistente para uma vida longa e com qualidade continua passando por escolhas cotidianas.
Entre as recomendações para quem busca viver mais e com saúde, destacam-se:
Assim, enquanto a ciência avança na busca por marcadores cada vez mais precisos do envelhecimento, os pilares clássicos da saúde — alimentação, movimento, sono e ausência de vícios — seguem como a base mais sólida para aumentar as chances de uma velhice longa e saudável.