INSS identifica novo consignado irregular ligado ao Banco Master e aponta indícios de fraude

Instituto suspende repasses, pede à Dataprev corte de acessos do banco e decide não renovar acordo que autorizava a operação; caso é acompanhado pelo MPF e entrou na pauta da CPMI das fraudes

05/03/2026 às 10:40 por Redação Plox

O INSS identifica novo consignado irregular ligado ao Banco Master e aponta indícios de fraude em uma série de contratos de empréstimo com aposentados e pensionistas. Como resposta, o instituto restringiu a atuação da instituição financeira no sistema, com bloqueio de repasses e corte de acessos operacionais. O caso também passou a ser acompanhado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela CPMI que investiga fraudes em descontos e consignados, ampliando a pressão por responsabilização e por um caminho de ressarcimento aos segurados.

Banco Master se envolveu em escândalo financeiro

Banco Master se envolveu em escândalo financeiro

Foto: / Banco Master


Repasses bloqueados e acesso ao sistema cortado

De acordo com informações atribuídas à Agência Brasil, o INSS suspendeu a transferência de recursos ao Banco Master após identificar indícios de irregularidades em contratos de empréstimo consignado firmados com beneficiários. A medida foi apresentada como cautelar e vinculada a um processo de apuração administrativa.

Em nota oficial, o INSS já havia informado que decidiu não renovar o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que autorizava o Banco Master a operar consignado para aposentados e pensionistas. Também solicitou à Dataprev a retirada dos acessos do banco aos ambientes operacionais de consignado, restringindo a inclusão e gestão desses contratos no sistema.

No campo investigativo, o tema entrou na pauta da CPMI que analisa fraudes em descontos e consignados. Em depoimento citado por fonte legislativa, foi informado que o Banco Master teria mais de 324 mil contratos com segurados do INSS, dos quais 251 mil estariam sem comprovação regular, conforme relato apresentado na comissão.

Estimativa de 250 mil contratos com indícios de irregularidade

O MPF apontou uma estimativa de cerca de 250 mil contratos do Banco Master com indícios de irregularidade ou fraude e emitiu recomendações para garantir a devolução de recursos a aposentados e pensionistas. A preocupação é evitar que a reparação dependa exclusivamente de iniciativas individuais, o que pode ser inviável para parte dos lesados.

O INSS, por sua vez, reafirmou em nota a decisão de impedir a concessão de novos consignados pelo Banco Master a aposentados e pensionistas, ao não renovar o ACT e ao pedir a retirada dos acessos da instituição financeira ao sistema operacional do consignado.

Risco de desconto indevido no benefício

Para aposentados e pensionistas em estados como MG, SP, RJ, PR e demais regiões, o principal risco destacado é a existência de descontos no benefício ligados a contratos que o segurado não reconhece ou não consegue comprovar. Nesses casos, o impacto é direto no orçamento mensal, comprometendo a renda de quem depende exclusivamente do benefício previdenciário.

O caso reforça a necessidade de o beneficiário conferir extratos e descontos com regularidade e buscar canais oficiais para contestação e orientação, especialmente por meio do Meu INSS e do atendimento formal do instituto. Quando aplicável, também é recomendada a abertura de reclamação ou contestação junto à instituição financeira responsável pelo contrato. As orientações gerais do INSS sobre golpes envolvendo consignado continuam válidas como medida de prevenção.

Para o mercado de crédito consignado, as medidas administrativas e o debate na CPMI indicam um movimento de aperto na governança e na fiscalização, com potencial adoção de novas regras e exigências de comprovação e lastro documental para a contratação desses empréstimos.

Apurações, responsabilização e possível ressarcimento

No âmbito administrativo, o bloqueio de repasses ao Banco Master e as restrições operacionais tendem a permanecer enquanto o processo de apuração conduzido pelo INSS avança. A expectativa é que novas comunicações oficiais tragam definições sobre a validação documental dos contratos e eventuais providências para ressarcimento dos beneficiários prejudicados.

As recomendações do MPF buscam viabilizar a devolução de valores de forma mais efetiva e prioritária, sem depender apenas de ações individuais de cada aposentado ou pensionista. Já a CPMI segue como frente de pressão política e de coleta de informações, com potencial de influenciar medidas de fiscalização, responsabilização e ajustes na regulamentação do consignado.

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