Investigado no caso Banco Master, Luiz Phillipi Mourão morre na prisão; caso é de suspeita de suicídio
Conhecido como “Sicário”, ele estava internado no Hospital João XXIII, em MG; PF abrirá investigação interna e enviará vídeos ao STF
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer teleatendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, com foco especial nas modalidades online. O serviço é gratuito, voltado a maiores de 18 anos e também aberto a familiares e à rede de apoio. O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital.
De acordo com o Ministério da Saúde, a expectativa inicial é realizar cerca de 600 atendimentos por mês, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). O investimento previsto é de R$ 2,5 milhões.

Novo serviço do SUS é gratuito, voltado a maiores de 18 anos e também aberto a familiares e rede de apoio
Foto: Freepik
Dados do Ministério indicam que, em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas. A avaliação técnica é de que a procura espontânea ainda é limitada, muitas vezes por vergonha, estigmatização ou dificuldade de reconhecer o problema.
Nesse contexto, o teleatendimento surge como estratégia para ampliar o acesso de forma mais reservada e facilitar o primeiro contato com a rede pública de saúde. O novo serviço integra um conjunto de medidas anunciadas pelo governo federal para responder ao crescimento das apostas online no país e seus possíveis impactos na saúde mental.
O primeiro passo é acessar o aplicativo Meu SUS Digital, ou a versão web, fazer login com a conta gov.br e selecionar, na aba “Miniapps”, a opção relacionada a problemas com jogos de apostas.
Em seguida, o usuário responde a um autoteste validado no Brasil, com perguntas baseadas em evidências científicas para identificar sinais de risco.
Se o resultado indicar risco moderado ou elevado, o encaminhamento ao teleatendimento é feito automaticamente. Nos casos considerados de menor risco, o aplicativo orienta a buscar atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS).
As consultas são realizadas por vídeo, têm em média 45 minutos de duração e integram ciclos de cuidado que podem chegar a até 13 sessões por paciente. O acompanhamento pode ser individual ou em grupo, com possibilidade de participação de familiares.
A equipe é multiprofissional, formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com apoio de psiquiatra quando necessário. O modelo prevê telemonitoramento e articulação com a rede local do SUS para eventual encaminhamento presencial.
O teleatendimento faz parte de uma estratégia interministerial mais ampla. Entre as ações em curso estão a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, coordenada pelo Ministério da Fazenda, que permite ao usuário bloquear o acesso a sites de apostas autorizados, e o Observatório Saúde Brasil de Apostas, voltado à troca de dados entre as áreas de Saúde e Fazenda.
Também foram publicadas diretrizes clínicas e uma linha de cuidado específica para pessoas com problemas relacionados a jogos, compondo um esforço de organização da rede de atenção em saúde mental para esse tipo de demanda.
O Ministério da Saúde informa ainda que a Ouvidoria do SUS, pelo telefone 136, está preparada para orientar usuários sobre o tema.
Segundo dados oficiais, o orçamento federal destinado à saúde mental passou de R$ 1,7 bilhão em 2022 para R$ 2,9 bilhões em 2025. A rede pública conta atualmente com 6.272 pontos de atenção em saúde mental, incluindo cerca de 3 mil CAPS.
O Ministério avalia que o avanço das apostas online trouxe novos desafios ao sistema de saúde, especialmente na identificação precoce de comportamentos compulsivos, condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como transtorno mental, classificada como “transtorno do jogo” na CID-11.
A efetividade do novo modelo de atendimento e sua capacidade de ampliar o acesso ao cuidado deverão ser avaliadas ao longo da implementação do serviço, à medida que os primeiros dados de uso forem consolidados.