Antes de ser preso, Vorcaro mandou mensagem a Alexandre Moraes: “conseguiu bloquear?”
Segundo Malu Gaspar, do O Globo, peritos identificaram o texto “Conseguiu bloquear?” durante perícia digital feita após a apreensão do aparelho
Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, indicam que ele avaliou como “ótimo” e “muito forte” um encontro realizado fora da agenda oficial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com Gabriel Galípolo e com ministros. A revelação aumenta a pressão por transparência sobre a natureza da reunião, quem esteve presente e quais temas foram discutidos, em meio a investigações e desdobramentos envolvendo o banco.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, esteve no Palácio do Planalto
Foto: Reprodução: Redes sociais
Reportagens publicadas nesta semana relatam que Vorcaro, em mensagens, classificou o encontro com Lula e integrantes do governo como “ótimo” e “muito forte”. Segundo esses textos, a reunião teria ocorrido em 4 de dezembro de 2024, sem registro na agenda pública do presidente, com participação de Galípolo quando ele ainda era apenas o indicado para assumir o comando do Banco Central, cargo para o qual tomaria posse em janeiro de 2025.
As publicações relacionam o episódio a registros de circulação no Palácio do Planalto e a apurações anteriores que já apontavam para a existência de um encontro reservado com presença de auxiliares do governo. Em algumas dessas reconstruções, além de Lula e Vorcaro, aparecem como participantes Rui Costa (Casa Civil) e, em determinadas versões, Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Guido Mantega, ex-ministro.
A forma como Vorcaro descreve o encontro — “foi ótimo, muito forte” — transformou a reunião fora da agenda em novo foco de debate público sobre transparência no Planalto e interlocução do governo com o sistema financeiro.
Até o momento, o que consta de maneira pública e verificável em fontes oficiais é que o caso ganhou impulso a partir de materiais e diligências vinculadas a investigações. De acordo com a Agência Brasil, Vorcaro se recusou a fornecer a senha de seu celular em depoimento à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, em procedimento determinado no âmbito do Supremo Tribunal Federal.
Sobre o encontro específico no Palácio do Planalto, as confirmações e detalhes têm sido apresentados principalmente por veículos de imprensa, com base em relatos, registros e apurações próprias. A íntegra das mensagens atribuídas a Vorcaro e o contexto completo da reunião seguem pendentes de esclarecimentos adicionais, como eventual divulgação oficial de registros, notas públicas ou documentos anexados a procedimentos em curso.
A revelação de uma reunião fora da agenda com um banqueiro ligado ao Banco Master reaquece cobranças por critérios mais rígidos de transparência na relação do governo com empresários e representantes do sistema financeiro. A ausência de registro oficial alimenta críticas sobre a forma como encontros desse tipo são organizados e comunicados.
Do ponto de vista político, a oposição tende a explorar o caso como indício de eventual tratamento privilegiado a um agente privado, em contraste com discursos públicos sobre regulação e fiscalização do setor financeiro. A presença de Galípolo, então indicado para o Banco Central, torna o episódio particularmente sensível por envolver a percepção de independência da autoridade monetária e sua interlocução com bancos.
Mesmo sem provas de que alguma decisão tenha sido tomada na reunião, o episódio alimenta dúvidas sobre os limites e os protocolos que orientam a relação entre governo federal, instituições financeiras e órgãos de controle. A forma calorosa como o encontro foi descrito nas mensagens atribuídas a Vorcaro reforça a controvérsia.
Nos bastidores, a expectativa é de que pedidos de acesso à informação e novas checagens documentais tragam mais dados sobre registros de entrada e saída no Palácio do Planalto, a lista completa de participantes e a pauta efetiva da reunião.
Também cresce a pressão por posicionamentos públicos do Planalto, dos ministros citados e do Banco Central, para esclarecer se houve discussão sobre temas regulatórios, a situação do Banco Master ou demandas específicas apresentadas pelo setor privado.
Paralelamente, o caso permanece conectado a diligências e relatórios envolvendo o Banco Master. Novas fases de investigação, decisões judiciais ou eventual divulgação de trechos de laudos e documentos podem alterar o quadro atual, ainda marcado por informações em apuração sobre o conteúdo integral das mensagens e sobre o que, de fato, foi tratado no encontro que Vorcaro descreveu como “ótimo” e “muito forte”.