Investigado no caso Banco Master, Luiz Phillipi Mourão morre na prisão; caso é de suspeita de suicídio
Conhecido como “Sicário”, ele estava internado no Hospital João XXIII, em MG; PF abrirá investigação interna e enviará vídeos ao STF
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que fundamentou a 3ª fase da Operação Compliance Zero, aponta a existência de um “núcleo de intimidação e obstrução de Justiça” supostamente financiado pelo empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. Segundo o documento, há indícios de que esse grupo recebia pagamentos mensais de R$ 1 milhão para atuar em favor dos investigados. A operação ganhou novo impulso em 4 de março de 2026, com prisões preventivas e buscas em São Paulo e Minas Gerais.
A Polícia Federal deflagrou, em 04/03/2026, a 3ª fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. De acordo com a decisão do STF tornada pública, os investigadores identificaram indícios de uma estrutura paralela dedicada a monitorar e intimidar pessoas consideradas adversárias do grupo, incluindo críticos e jornalistas.
Reportagens baseadas na decisão e em informações da apuração indicam que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, seria um dos responsáveis por ações de vigilância e pressão, e que teria recebido R$ 1 milhão por mês pelos serviços atribuídos a esse núcleo. A investigação também descreve um grupo informal referido como “A Turma”, ligado a atividades de monitoramento e coerção.
Além de Vorcaro, a decisão menciona prisões e medidas contra outros investigados, entre eles Fabiano Zettel e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, apontados como integrantes ou operadores dessa estrutura.
Daniel Vorcaro
Foto: Reprodução: X
Na decisão divulgada, o ministro André Mendonça registra a existência de elementos que indicariam risco de continuidade das práticas sob investigação, possibilidade de destruição de provas e intimidação de pessoas ligadas ao caso. Esses fatores foram usados como base para autorizar a prisão preventiva e outras medidas cautelares no âmbito da operação.
A defesa de Daniel Vorcaro, conforme registrado em reportagem que divulgou a íntegra ou trechos da decisão, nega as acusações e afirma que o empresário teria colaborado com as investigações e permanecido à disposição das autoridades.
O contexto do caso também envolve a crise do Conglomerado Master. Em 18/11/2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial de instituições do grupo, um marco que conecta a Operação Compliance Zero às apurações sobre condutas no sistema financeiro e ao colapso do Banco Master.
Os efeitos da nova fase da operação se espalham por Minas Gerais e São Paulo, com mandados de busca, diligências e medidas que atingem investigados com atuação empresarial em Minas. A expectativa é de novos desdobramentos locais, como apreensões, bloqueio de bens e novas oitivas.
No debate público, as suspeitas de intimidação e monitoramento ampliam a gravidade do caso por envolverem possível pressão sobre críticos, ex-funcionários e jornalistas, além de eventual tentativa de interferir em investigações em curso.
Para o sistema financeiro, os desdobramentos da Operação Compliance Zero seguem entrelaçados ao histórico recente do Banco Master e às discussões sobre supervisão, governança e responsabilização, especialmente após a liquidação extrajudicial anunciada em novembro de 2025.
A tendência é que a Polícia Federal avance na análise dos materiais apreendidos, como celulares, documentos e mídias, e aprofunde o rastreamento de fluxos financeiros para verificar pagamentos, origens de recursos e eventuais mandantes ou beneficiários desse núcleo de intimidação supostamente bancado com R$ 1 milhão mensais.
Também são esperadas novas manifestações das defesas dos investigados e a judicialização de medidas como pedidos de habeas corpus, questionamentos sobre a prisão preventiva e sobre a competência para condução do caso.
O processo deve continuar a gerar capítulos no STF e em órgãos de controle, à medida que forem detalhados os elementos reunidos sobre o funcionamento do núcleo de intimidação e sua conexão com outros eixos da investigação, como corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes no sistema financeiro.