Polícia diz que médica tentou falsificar vídeo do sistema de hospital após morte de menino em Manaus
Inquérito aponta que gravação apresentada à Justiça buscava sustentar falha no Hospital Santa Júlia, mas perícia técnica descartou defeito; investigada responde em liberdade e defesa nega falsificação
05/05/2026 às 07:42por Redação Plox
05/05/2026 às 07:42
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
A Polícia Civil concluiu que a médica investigada pela morte de Benício, de 6 anos, tentou falsificar uma gravação de tela do sistema do hospital para sustentar a versão de que não cometeu erro na prescrição do medicamento que levou à morte da criança.
De acordo com o inquérito, Juliana Brasil apresentou à Justiça um vídeo que, segundo a investigação, supostamente mostraria uma falha no sistema eletrônico de prescrição do Hospital Santa Júlia, em Manaus. A defesa nega a acusação.
Caso Benício: polícia conclui que menino de 6 anos foi vítima de erro médico e morreu após overdose de adrenalina
Foto: Reprodução/TV Globo
Vídeo apontaria falha em sistema de prescrição
No registro entregue, a plataforma apareceria trocando automaticamente a adrenalina por inalação — descrita como protocolo correto — pela administração intravenosa, que foi a forma aplicada e considerada fatal pelos peritos.
Uma perícia técnica, no entanto, descartou qualquer defeito no sistema.
Mensagens no celular reforçam suspeita, diz polícia
No celular apreendido da médica, a polícia afirma ter encontrado mensagens que reforçam a suspeita de falsificação. Em uma delas, enviada após a morte do menino, Juliana diz que teria oferecido dinheiro a uma pessoa para gravar algo que pudesse ajudá-la.
Ofereci dinheiro pra ela filmar. Kkk. Ela disse que vai tentar
Juliana Brasil
Para o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, as mensagens indicam uma tentativa de construir artificialmente uma prova para sustentar a defesa.
Está muito claro que ela produziu um vídeo para tentar se eximir de responsabilidade
Marcelo Martins
Morte ocorreu após superdosagem, aponta investigação
Benício morreu cerca de 14 horas após receber uma superdosagem de adrenalina diretamente na veia. A polícia concluiu que o quadro foi irreversível e que não houve falha da equipe da UTI após a intoxicação.
Juliana Brasil foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, fraude processual e falsidade ideológica. Ela vai responder ao processo em liberdade. A médica e a técnica de enfermagem envolvida no caso podem ser levadas a júri popular.
Defesa nega falsificação e contesta responsabilidade
Em nota ao Fantástico, a defesa afirmou que o vídeo apresentado é verdadeiro e reiterou que o sistema do hospital apresentou falhas no dia do atendimento. A Polícia Civil, porém, afirma que essa hipótese foi descartada tecnicamente.
O advogado Sérgio Figueiredo também disse que, no momento da intubação, Benício já não estaria sob responsabilidade da médica.
Ela já não estava sob o domínio daquela criança. Ela seguiu o plantão normalmente
Sérgio Figueiredo
Questionado se Juliana teve participação na morte do menino, ele respondeu: “Não”.
Segundo a defesa, a técnica de enfermagem teria administrado o medicamento de forma inadequada por medo de perder o emprego, sem confirmar a prescrição.
Trinta e um passos teriam evitado o que aconteceu com o Benício na UTI