Estudo aponta que jovens mulheres negras seguem nos piores indicadores de trabalho em 2025

Levantamento do MUDE com Elas, elaborado pelo Ceert com base na PNAD Contínua, destaca desigualdades em desemprego, renda, informalidade e desalento, apesar da melhora geral da ocupação no país.

05/06/2026 às 10:43 por Redação Plox

Um novo levantamento sobre o mercado de trabalho brasileiro mostra que mulheres negras jovens seguem concentradas nos piores indicadores de desemprego, renda, informalidade e desalento, mesmo em um cenário nacional de melhora na ocupação.

O estudo da Rede MultiAtores MUDE com Elas, elaborado pelo Ceert com base na PNAD Contínua de 2025, analisa a população de 14 a 29 anos por raça, gênero e faixa etária. 


Novo levantamento sobre o mercado de trabalho brasileiro mostra que mulheres negras jovens seguem concentradas nos piores indicadores de desemprego, renda, informalidade e desalento.

Foto: Noticia Preta./Pexels


Desigualdade aparece desde a adolescência

Entre adolescentes de 14 a 17 anos, a taxa de desocupação das mulheres negras chega a 24,7%, índice 1,4 vez maior que o registrado entre homens brancos da mesma idade.

Na faixa de 18 a 24 anos, etapa considerada decisiva para a entrada no mercado de trabalho, o desemprego entre jovens negras é de 16,5%, também acima do observado entre homens brancos


Taxa de desocupação das mulheres negras chega a 24,7%, índice 1,4 vez maior que o registrado entre homens brancos da mesma idade.

Foto: Weverson Paulino


A diferença permanece no grupo de 25 a 29 anos. Nessa faixa, a taxa de desocupação das mulheres negras é de 10,3%, quase o dobro da registrada entre mulheres brancas e 2,8 vezes a dos homens brancos, segundo o levantamento.

Renda menor e mais informalidade

O estudo também aponta forte desigualdade salarial. Em 2025, o rendimento médio das mulheres negras correspondeu a 46,5% do rendimento dos homens brancos.

Entre jovens negras, a informalidade chegou a 39,1%, cerca de dez pontos percentuais acima da registrada entre jovens brancas.

O desalento, situação em que a pessoa desiste de procurar trabalho, também atinge com mais força esse grupo. Mulheres negras representam 38,7% dos jovens desalentados do país. Entre aquelas de 25 a 29 anos, a participação chega a 44,2%.

Recorte em São Paulo reforça diferença

Na Região Metropolitana de São Paulo, jovens mulheres negras recebem, em média, R$ 2.236, enquanto homens brancos chegam a R$ 3.926.

Entre 25 e 29 anos, a distância aumenta: R$ 2.569 para mulheres negras e R$ 5.323 para homens brancos


Estudo também aponta forte desigualdade salarial.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


A coordenadora da Rede MultiAtores pelo Ceert, Shirley Santos, avalia que os dados indicam barreiras que vão além da escolaridade.

Para ela, fatores como racismo estrutural, desigualdade territorial, dificuldade de acesso a redes de oportunidade, discriminação em contratações e sobrecarga do trabalho de cuidado continuam influenciando a inserção profissional. 


Dados indicam barreiras que vão além da escolaridade.

Foto: Reprodução/CANVA


País melhora, mas avanço não chega igual

Os dados dialogam com o cenário geral da PNAD Contínua do IBGE. No terceiro trimestre de 2025, a taxa de desocupação do país foi de 5,6%, a menor da série histórica iniciada em 2012.

Ainda assim, o próprio IBGE registrou diferenças por gênero e raça: o desemprego foi de 6,9% entre mulheres, contra 4,5% entre homens; e ficou acima da média nacional entre pretos e pardos.

O relatório defende que cotas raciais e sociais são importantes, mas insuficientes quando não vêm acompanhadas de políticas de permanência, qualificação profissional, acesso a creches, proteção social, mobilidade urbana, inclusão produtiva e ampliação da presença de jovens negras em espaços de decisão.

Para a rede, a redução das desigualdades depende de investimento público, compromisso institucional e participação social.

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