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Mãe de Eliza Samudio critica exposição após descoberta de passaporte em Lisboa

Sônia Fátima diz que repercussão reabre feridas, explora imagem da filha por audiência e dinheiro e promete cobrar explicações sobre como documento foi parar em Portugal

06/01/2026 às 23:13 por Redação Plox

A mãe de Eliza Samudio, Sônia Fátima, se manifestou na noite desta terça-feira (6) após a repercussão do passaporte da filha encontrado em Portugal. Pelas redes sociais, ela criticou a forma como o episódio foi exposto e reafirmou o luto que carrega há mais de 15 anos, mesmo após o reconhecimento oficial da morte da jovem.

O caso que voltou ao centro do debate público remete a 2010, quando o desaparecimento e a morte de Eliza chocaram o país. À época, o goleiro Bruno Fernandes, então jogador do Flamengo e apontado como uma das maiores promessas do futebol brasileiro, foi acusado e posteriormente condenado pela morte da ex-namorada, com quem teve um filho.

Corpo da vítima nunca foi encontrado, mas, em 2013, a Justiça emitiu a certidão de óbito

Corpo da vítima nunca foi encontrado, mas, em 2013, a Justiça emitiu a certidão de óbito

Foto: Reprodução: Redes sociais


Embora o corpo de Eliza nunca tenha sido encontrado, a Justiça emitiu a certidão de óbito em 2013, consolidando juridicamente a morte da jovem.

Mãe rebate especulações e critica exposição do caso

A manifestação de Sônia ocorreu depois que a notícia sobre o passaporte encontrado em Lisboa viralizou, gerando novas especulações. Para a família, essas versões apenas reabrem feridas e ampliam o sofrimento.

Nas redes sociais, ela lamentou ter de reafirmar diariamente a morte da filha e disse que a imagem de Eliza vem sendo usada como instrumento de exploração, associando essa exposição à busca por audiência, dinheiro e fama.

Sônia também acusou parte da imprensa de agir sem a devida sensibilidade e ética, ao priorizar a repercussão do caso em vez da apuração rigorosa dos fatos e do cuidado com a dor da família.

Passaporte foi entregue ao consulado em Lisboa

O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou o recebimento do passaporte de Eliza Samudio nesta terça-feira (6). Segundo o órgão, o documento foi encontrado na última sexta-feira (2) e a informação foi imediatamente comunicada ao Itamaraty.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que o passaporte será encaminhado a Brasília e ficará à disposição da família, caso haja interesse em reaver o documento.

Família cobra explicações sobre documento em Portugal

Apesar do tom emotivo do desabafo, Sônia ressaltou que a forma como o passaporte surgiu em solo europeu levanta dúvidas. Para ela, a história em torno do documento apresenta inconsistências graves e não parece ser resultado de um simples acaso.

Segundo a mãe de Eliza, o episódio está “cheio de pontos que não se encaixam” e, em vez de oferecer respostas, aprofunda a angústia da família. Ela afirmou que pretende cobrar das autoridades esclarecimentos sobre como o passaporte saiu do país, chegou a Portugal e quem era responsável por sua guarda ou descarte.

Ao encerrar sua manifestação, Sônia disse que vai se recolher ao silêncio para preservar a própria saúde mental e a da família, em especial do neto, Bruninho Samudio. Ela destacou que sua prioridade agora é a busca por respeito, verdade e justiça, evitando que a memória de Eliza seja reduzida a manchetes frias e sucessivas polêmicas.

Irmão relata abalo emocional com repercussão

Em entrevista à Rádio Itatiaia, o irmão de Eliza por parte de mãe, Arlie Moura, de 27 anos, contou que a notícia sobre o passaporte o abalou psicologicamente. Ele relatou que soube da existência do documento por meio das redes sociais, o que intensificou o impacto emocional do caso.

Relembre o desaparecimento e a condenação de Bruno

Em julho de 2010, Eliza viajou para um sítio em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a pedido do goleiro Bruno. Depois dessa viagem, ela desapareceu. Durante as primeiras investigações, o jogador alegou que a jovem havia deixado o local por vontade própria e abandonado o filho, Bruninho, com uma pessoa conhecida do casal. O menino acabou localizado em uma favela em Ribeirão das Neves, também na Grande BH.

Em junho de 2010, a Polícia Civil de Minas Gerais apontou Bruno como suspeito pelo desaparecimento de Eliza. As investigações indicavam que a gravidez e a existência do filho poderiam atrapalhar o casamento do goleiro e prejudicar sua imagem pública, num momento em que ele negociava uma possível transferência do Flamengo para o Milan, da Itália.

No dia 6 de julho de 2010, um adolescente de 17 anos, primo de Bruno, foi encontrado na casa do goleiro, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em depoimento, ele afirmou ter agredido Eliza com uma coronhada e disse que, depois de desmaiada, ela teria sido esquartejada por ordem do jogador. Os restos mortais, segundo o relato, teriam sido dados a cães da raça rottweiler, e os ossos, concretados.

A Justiça de Minas Gerais determinou a internação do adolescente e decretou a prisão preventiva de Bruno e de outras sete pessoas ligadas ao caso no dia seguinte ao depoimento. A Justiça do Rio de Janeiro também havia expedido prisão preventiva de Bruno e de Luiz Henrique Romão, o “Macarrão”, pelo sequestro e cárcere privado de Eliza em outubro de 2009.

Bruno e Macarrão se entregaram à polícia no Rio e foram transferidos para Minas Gerais, onde o julgamento foi concentrado. Em 19 de novembro de 2012, mais de dois anos após o desaparecimento de Eliza, teve início, em Contagem, na Grande BH, o júri de Bruno Fernandes, Luiz Henrique Romão, Marcos Aparecido dos Santos, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, Fernanda Gomes de Castro, Elenilson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza.

Bruno foi condenado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. Em fevereiro de 2017, ele obteve o primeiro habeas corpus, mas voltou à prisão dois meses depois, por decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.

Em julho de 2019, o ex-goleiro conquistou o direito à progressão para o regime semiaberto. Desde janeiro de 2023, ele está em liberdade condicional.

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