Dólar abre em alta a R$ 5,31 com tensão no Oriente Médio e petróleo no radar

Investidores acompanham risco de bloqueio do Estreito de Ormuz, enquanto noticiário doméstico destaca nova prisão do dono do Banco Master e dados de desemprego do IBGE

06/03/2026 às 09:12 por Redação Plox

O dólar iniciou a sessão desta sexta-feira (6) em alta, cotado a R$ 5,31, em meio à cautela dos investidores com a escalada das tensões no Oriente Médio. As negociações no Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, têm início apenas às 10h.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Conflito no Oriente Médio domina o humor dos mercados

O avanço das tensões no Oriente Médio volta a pautar os mercados neste 7º dia de conflito, que começou com novos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e ao Líbano. O governo americano afirmou ter entrado em uma nova fase da guerra, com "aumento drástico" do poder de fogo sobre o território iraniano, novos ataques ao programa de mísseis de Teerã e bombardeios à chamada "infraestrutura do regime" dos aiatolás.

Com o reforço dos temores sobre possíveis impactos no mercado de petróleo, a commodity já sinalizava mais um dia de alta. Pela manhã, os contratos futuros do Brent, referência internacional, subiam mais de 4% perto das 9h, negociados a US$ 88,85 o barril.

Prisão de banqueiro e Operação Compliance Zero no radar local

No noticiário doméstico, as atenções seguem voltadas aos desdobramentos da nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O banqueiro chegou na quinta-feira à Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, onde deve permanecer em isolamento por 10 dias.

A nova fase da Operação Compliance Zero apontou que Vorcaro comandava uma "milícia privada" conhecida como "A Turma", usada para intimidar e espionar adversários. Segundo a investigação, o grupo também acessava ilegalmente sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Interpol. Dois servidores do Banco Central também estariam envolvidos.

Payroll dos EUA e resultado da Petrobras em foco

Na agenda econômica, o destaque é a divulgação dos novos dados do payroll, o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, que deve trazer novos sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve na condução dos juros americanos.

O resultado da Petrobras, divulgado na véspera, também permanece no radar dos investidores. A estatal reportou lucro de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de 200% em relação a 2024, desempenho considerado positivo mesmo diante de um cenário desafiador, marcado pela queda dos preços do petróleo no último ano.

Desempenho do dólar e do Ibovespa

No acumulado da semana, o dólar sobe 2,97%, repetindo a variação no acumulado de outubro. No ano, contudo, ainda registra queda de 3,68%.

O Ibovespa, por sua vez, acumula baixa de 4,41% na semana e no mês. No ano, o índice ainda avança 12%.

Bloqueio no Estreito de Ormuz e pressão sobre o petróleo

A preocupação dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz, somada às incertezas sobre a duração da guerra, voltou a se refletir nas cotações do petróleo.

Perto das 17h, o barril do Brent subia 3,39%, a US$ 84,16. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 6,38%, para US$ 79,42.

Os ataques a navios petroleiros continuaram na quinta-feira, segundo a agência Reuters. O Sonangol Namibe, que navega sob bandeira das Bahamas, relatou danos no casco após uma explosão nas proximidades do porto de Khor al Zubair, no Iraque.

Ao mesmo tempo, o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra. Dados de empresas de monitoramento indicam que cerca de 300 petroleiros estão parados na região, aguardando condições mais seguras para seguir viagem.

Em terra, o conflito também se intensificou. Na madrugada de quinta-feira, o Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, obrigando milhões de pessoas a buscar abrigo.

Analistas do banco J.P. Morgan alertam que o fechamento do Estreito de Ormuz pode começar a afetar o fornecimento global de petróleo em poucos dias. Se o bloqueio persistir, aproximadamente 3,3 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado.

O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, por falta de capacidade de armazenamento e dificuldades de exportação.

O Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações, instrumento usado quando eventos fora do controle impedem o cumprimento de contratos. Fontes do setor estimam que pode levar ao menos um mês para a normalização da produção.

Desemprego no Brasil permanece estável

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, de acordo com a Pnad Contínua, divulgada na quinta-feira (5) pelo IBGE. O resultado permanece estável em relação ao trimestre anterior, também de 5,4%, e representa queda de 1,1 ponto percentual frente ao mesmo período do ano passado, quando estava em 6,5%.

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, apesar da estabilidade estatística, há uma tendência de recuo no indicador. Ela lembra que, na virada do ano, é comum a taxa de desocupação subir ao longo do primeiro trimestre, movimento que ainda pode aparecer nos próximos levantamentos.

Em geral, na virada do ano é comum haver aumento da desocupação, que costuma aparecer ao longo do primeiro trimestre. Mas esse resultado ainda reflete o efeito de novembro e dezembro, que costumam ter indicadores mais favoráveis no mercado de trabalho Adriana Beringuy

Os principais números da pesquisa são:

  • Taxa de desocupação: 5,4%
  • Taxa de subutilização: 13,8%
  • População desocupada: 5,9 milhões
  • População ocupada: 102,7 milhões
  • População fora da força de trabalho: 66,3 milhões
  • População desalentada: 2,7 milhões
  • Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,4 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões
  • Trabalhadores informais: 38,5 milhões

Na comparação anual, Adriana destaca que a melhora é mais clara, com queda significativa da taxa de desocupação frente ao mesmo trimestre do ano anterior.

Mercado de trabalho nos EUA e tarifas de Trump

Nos Estados Unidos, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego somaram 213 mil na semana encerrada em 28 de fevereiro, em dado com ajuste sazonal, informou o Departamento do Trabalho. O número veio ligeiramente abaixo da expectativa de economistas consultados pela Reuters, que projetavam 215 mil solicitações.

O mercado de trabalho norte-americano ainda se recupera de um período recente de incerteza. À época, economistas apontaram que as tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump, com base em uma lei voltada a situações de emergência nacional, geraram insegurança econômica e afetaram as contratações.

Posteriormente, essas tarifas foram derrubadas pela Suprema Corte dos EUA. Em resposta, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% sobre importações, com indicação de aumento da alíquota para 15%.

Apesar desse cenário, economistas avaliam que o mercado de trabalho pode ganhar fôlego ao longo deste ano, impulsionado por cortes de impostos que tendem a estimular a atividade econômica e a demanda.

Outro levantamento, divulgado na quinta-feira pela empresa de recolocação Challenger, Gray & Christmas, mostrou que empregadores sediados nos EUA anunciaram 48.307 cortes de vagas em fevereiro. O volume representa queda de 55% em relação a janeiro e de 72% frente a fevereiro do ano passado.

Os planos de contratação subiram 140% em comparação a janeiro, mas ainda permanecem 63% abaixo do nível registrado no mesmo mês de 2025.

Tensões no Irã pressionam Wall Street

Em Wall Street, a escalada das tensões envolvendo o Irã voltou a pressionar os mercados americanos. O clima de cautela se intensificou após o lançamento de mísseis iranianos contra Israel e o bloqueio, por senadores republicanos, de uma tentativa de interromper os ataques aéreos conduzidos pelos EUA.

Perto das 17h30, o índice Dow Jones recuava 1,83%. O S&P 500 caía 1,02%, enquanto o Nasdaq Composite tinha baixa de 0,64%.

Bolsas europeias em queda e Ásia em recuperação

Na Europa, as bolsas encerraram o pregão de quinta-feira em terreno negativo, em um ambiente ainda marcado pelas tensões no Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 1,29%, aos 604,83 pontos.

Entre os principais mercados da região, o DAX, da Alemanha, caiu 1,61%, para 23.815,75 pontos; o FTSE 100, do Reino Unido, cedeu 1,45%, a 10.413,94 pontos; e o CAC 40, da França, recuou 1,49%, fechando aos 8.045,80 pontos.

Na direção oposta, os mercados asiáticos operaram em alta, acompanhando uma recuperação regional. A pressão da guerra no Oriente Médio foi compensada pelo entusiasmo dos investidores com ações de tecnologia chinesas, após o anúncio, por Pequim, de planos para ampliar investimentos em inovação, o que impulsionou os principais índices da China e de Hong Kong.

No fechamento, o índice de Xangai subiu 0,6%, enquanto o CSI300 avançou 1%. O Hang Seng, de Hong Kong, registrou alta de 0,3%.

Outros mercados da região também tiveram ganhos expressivos: o Nikkei, em Tóquio, avançou 1,9%, a 55.278 pontos; o KOSPI, em Seul, disparou 9,63%, para 5.583 pontos; e o TAIEX, em Taiwan, ganhou 2,57%, alcançando 33.672 pontos.

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