Justiça manda exumar corpo de PM encontrada morta com tiro na cabeça em SP

Nova perícia do IML começa no sábado (7) e será enviada ao 8º DP, que apura o caso como “morte suspeita”

06/03/2026 às 09:07 por Redação Plox

A Justiça de São Paulo atendeu a pedidos da Polícia Civil e do Ministério Público e determinou a exumação do corpo da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. Ela foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central da capital paulista.

A PM Gisele Santana e o marido Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronal da Polícia Militar.

A PM Gisele Santana e o marido Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronal da Polícia Militar.

Foto: Reprodução/TV Globo


A exumação será realizada pelo Instituto Médico Legal (IML) da Polícia Técnico-Científica. Peritos irão ao cemitério onde Gisele está enterrada para retirar os restos mortais e levá-los ao órgão. A previsão é de que a nova perícia no cadáver tenha início no sábado (7).

Os resultados dos exames serão enviados ao 8º Distrito Policial, no Brás, responsável pela investigação, que atualmente trata o caso como “morte suspeita”. A delegacia pediu a exumação porque ainda há dúvidas sobre as circunstâncias da morte da policial.

Inicialmente, o registro policial apontava “suicídio” como causa da morte, mas a classificação foi alterada após a família de Gisele relatar à investigação que ela sofria violência psicológica do marido.

Após a morte da esposa, ocorrida em 18 de fevereiro, Geraldo solicitou afastamento das funções na Polícia Militar, e o pedido foi atendido pela corporação.

Versão do marido e contestação da família

Em depoimento inicial à polícia, Geraldo afirmou que discutiu com Gisele ao comunicar que queria se separar. Segundo relatou, ele foi tomar banho e, cerca de um minuto depois, ouviu o disparo de arma de fogo.

Quando abriu a porta, disse ter encontrado a esposa caída na sala, ferida e sangrando na cabeça, segurando em uma das mãos uma arma de sua propriedade. Em seguida, acionou as autoridades para pedir socorro e relatar o ocorrido.

A família de Gisele sempre contestou a versão de suicídio. Parentes relataram no 8º Distrito Policial que o relacionamento dela com o tenente-coronel era tóxico e que a soldado sofria violência psicológica. Segundo os relatos, ele a perseguia, proibia o uso de perfumes, batom e salto alto e determinava que ela só poderia frequentar a academia se estivesse acompanhada por ele.

Indícios periciais e novas diligências

Laudos da Polícia Técnico-Científica apontam novos elementos para a investigação. Peritos utilizaram luminol e detectaram sangue ainda não identificado no box do banheiro onde, de acordo com o relato de Geraldo, ele estaria tomando banho antes do disparo.

O laudo necroscópico concluiu que o tiro que matou Gisele foi disparado com o cano da arma encostado no lado direito da cabeça. Para os investigadores, esse dado é relevante para a reconstituição da dinâmica do disparo.

O exame residuográfico, utilizado para detectar resquícios de pólvora, teve resultado negativo tanto nas mãos da soldado quanto nas do tenente-coronel. Novos exames estão em andamento para tentar indicar quem efetivamente apertou o gatilho.

Gisele e Geraldo viviam juntos desde 2024. A filha da policial, de sete anos, também morava no apartamento, mas não estava no local no momento do disparo que matou a mãe.

Situação do tenente-coronel na investigação

Apesar das incertezas que cercam o caso, Geraldo ainda não é formalmente considerado investigado. A reportagem tenta contato com sua defesa para comentar o andamento das apurações.

No boletim de ocorrência, o tenente-coronel relatou que as discussões com a esposa eram motivadas por ciúmes dela, após surgirem boatos na Corregedoria da PM de que ele teria amantes.

Ele afirmou ainda que o casal passou a dormir em quartos separados e declarou que sua arma era guardada em um armário de um desses quartos.

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