Pesquisa aponta que 7 em cada 10 mulheres em SP já sofreram assédio
Levantamento indica ocorrências em ruas, transporte público e trabalho; caso em trem da CPTM terminou com prisão e suspeito responderá em liberdade
06/03/2026 às 07:42por Redação Plox
06/03/2026 às 07:42
— por Redação Plox
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A rotina de caminhar pela rua, usar ônibus ou metrô e ocupar o espaço público segue sendo um desafio para muitas mulheres em São Paulo. Pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec aponta que 7 em cada 10 mulheres que vivem na capital paulista já sofreram algum tipo de assédio.
Imagem ilustrativa
Foto: Freepik
O levantamento ouviu 3.500 mulheres em todo o país, sendo 700 na cidade de São Paulo. De acordo com o estudo, os episódios de assédio acontecem em diferentes ambientes do cotidiano, como ruas, transporte público, trabalho, bares e restaurantes, dentro de casa e também em transportes por aplicativo.
Posso falar assim pela maioria das mulheres que elas se sentem inseguras, né? Porque hoje em dia a gente tá vulnerável, não tem uma proteção assim específica para mulher — promotora Gabriela de Oliveira Aparício
Ao analisar apenas os dados da capital paulista, a pesquisa mostra que 54% das entrevistadas relataram já ter sido assediadas na rua.
Transporte público concentra grande parte dos casos
No transporte público, o problema também é recorrente. Mais da metade das mulheres ouvidas relatou ter sofrido assédio em ônibus, metrô ou trem.
A auxiliar financeira Fabiana Dias Alves descreveu situações vividas em veículos lotados: “Difícil, difícil, é mãos que a gente nem sabe de onde está vindo, empurra-empurra, encoxa-encoxa, é muito difícil.”
Para a cozinheira Leidiane de Brito, a frequência das ocorrências torna o constrangimento parte da rotina: “É difícil, é complicado. Bem constrangedor. Desse tipo, todo dia, normal. Para a gente é normal.”
Quando presenciam situações de assédio, algumas passageiras tentam intervir e apoiar a vítima. A cozinheira Evaneide da Cruz contou como age nesses casos: “Eu aviso pra ela, não penso duas vezes, que eu já vi e eu acho muito feio.”
Flagrante em trem da CPTM leva à prisão por importunação sexual
Um episódio registrado na terça-feira (4) ilustra a dimensão do problema. Dentro de um trem da CPTM da Linha 11–Coral, na Zona Leste de São Paulo, uma mulher gravou o momento em que era assediada por um homem.
As imagens foram usadas como prova e o suspeito foi preso por importunação sexual.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), após audiência de custódia, o homem foi liberado e vai responder ao processo em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares.
Mulheres recorrem à rede de apoio para enfrentar a violência
Para a coordenadora de mobilização do Instituto Cidades Sustentáveis, Zuleica Goulart, os dados reforçam que as mulheres ainda não se sentem seguras em espaços públicos.
Ela destaca o fortalecimento da rede de apoio entre mulheres como um elemento importante no enfrentamento à violência: “As mulheres cada vez mais pegando na mão umas das outras. Eu acho que isso é importante para a luta do enfrentamento à violência”, afirmou.
A atendente Esther Caetano também defende a intervenção de quem presencia situações de assédio: “Acho que tem que ir para cima, meter a colher ali, chamar outras pessoas também. Realmente tá bem complicado.”