Brecha em regras permite venda de implantes hormonais com efeito anabolizante apesar de veto da Anvisa

Reportagem aponta que dispositivos são apresentados como tratamento para sintomas como menopausa e endometriose, com preços que podem chegar a R$ 12 mil; CFM veda prescrições desde 2023 e o MPF pediu suspensão cautelar nacional.

06/05/2026 às 12:28 por Redação Plox

Uma brecha nas regras sobre implantes hormonais tem permitido que médicos continuem prescrevendo e vendendo substâncias com efeito anabolizante no Brasil, mesmo após o veto para fins estéticos, ganho de massa muscular e melhora de desempenho esportivo.


Segundo reportagem do g1, documentos, relatos de pacientes e ações judiciais mostram que profissionais têm apresentado os dispositivos como tratamento para sintomas como menopausa, endometriose, Síndrome do Ovário Policístico, queda de libido, insônia e ganho de peso.

De acordo com a apuração do g1

De acordo com a apuração do g1, a engrenagem envolve médicos que implantam os hormônios, treinam outros profissionais e também lucram com a venda dos produtos.


A reportagem aponta que implantes comprados em farmácias de manipulação por cerca de R$ 200 são oferecidos a pacientes por valores que partem de R$ 4 mil e podem chegar a R$ 12 mil.

Entre as substâncias citadas estão testosterona, oxandrolona e gestrinona, hormônios associados a efeitos anabolizantes.

Brecha em regras permite venda de implantes hormonais com efeito anabolizante apesar de veto da Anvisa

Foto: Agência Brasil


A Anvisa proibiu

A Anvisa proibiu a manipulação, comercialização e uso de implantes hormonais à base de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos para finalidade estética, esportiva ou de ganho de massa muscular.

A agência também reforçou a proibição de propaganda desses produtos ao público em geral e passou a exigir medidas de controle, como receita especial, registro em sistema de monitoramento, inclusão do CID na prescrição e termo de responsabilidade assinado por médico, paciente e farmácia.

O Conselho Federal de Medicina

O Conselho Federal de Medicina também veda, desde 2023, a prescrição de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes para fins estéticos, ganho de massa muscular ou melhora de desempenho esportivo.

Para o CFM, a prática não tem comprovação científica suficiente de benefício e segurança nesses usos, além de poder expor pacientes a riscos cardiovasculares, hepáticos, endócrinos e psiquiátricos.

A brecha apontada pelas autoridades

A brecha apontada pelas autoridades está justamente na declaração da finalidade do tratamento.

O Ministério Público Federal recomendou à Anvisa, em dezembro de 2025, a suspensão cautelar da manipulação, comercialização e uso de implantes hormonais manipulados em todo o país até a conclusão de estudos de segurança.

O MPF afirmou que o critério usado para diferenciar uso terapêutico e uso estético é insuficiente e pode ser burlado, por depender da finalidade informada pelo prescritor.

Entidades médicas também alertam

Entidades médicas também alertam para os riscos.

A Febrasgo afirma que implantes hormonais manipulados não passam pelo mesmo rigor de estudos exigidos para medicamentos industrializados e relata efeitos adversos como sangramento, infecções, tromboembolismo, pressão alta e complicações hepáticas, dermatológicas, psiquiátricas, renais e musculares.

A SBEM reforça que a norma da Anvisa não aprova o uso dos implantes nem afirma que eles sejam seguros.

Pacientes ouvidas pelo g1

Pacientes ouvidas pelo g1 relatam que aceitaram os implantes acreditando se tratar de um tratamento médico para sintomas específicos, mas depois descobriram ter recebido hormônios com efeito anabolizante.


Entre as consequências narradas estão acne, engrossamento da voz, ganho de peso e problemas de saúde mais graves.


Conforme a Anvisa, eventos adversos relacionados ao uso desses implantes devem ser notificados no sistema VigiMed, e o acompanhamento médico é obrigatório quando houver uso dessas substâncias.



Fontes consultadas: reportagem do g1 enviada à redação; Anvisa; Diário Oficial da União; Conselho Federal de Medicina; Ministério Público Federal; Febrasgo; Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. (Serviços e Informações do Brasil)

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a