GPA conclui renegociação de dívida de R$ 4,57 bilhões e prevê aliviar caixa em mais de R$ 4 bilhões
Empresa diz que o plano de recuperação extrajudicial deve reduzir em mais de 50% as obrigações incluídas, alongar o prazo médio para 6,4 anos e será protocolado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
06/05/2026 às 09:18por Redação Plox
06/05/2026 às 09:18
— por Redação Plox
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O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou na noite de terça-feira (6) a conclusão da renegociação com credores do plano de recuperação extrajudicial referente a uma dívida de R$ 4,57 bilhões.
De acordo com comunicado da companhia, a expectativa é reduzir em mais de 50% o valor total das obrigações incluídas no plano ao longo do tempo, além de alongar o prazo médio de pagamento para 6,4 anos e diminuir o custo médio da dívida.
Grupo GPA, responsável pela rede de supermercados Pão de Açúcar
Foto: Divulgação
Medidas preveem debêntures conversíveis e novo financiamento
Entre as iniciativas previstas, o plano inclui a reestruturação de créditos em debêntures conversíveis — títulos de dívida que podem ser transformados em ações da empresa — no valor de até R$ 1,1 bilhão, além de um novo financiamento de até R$ 200 milhões.
Segundo o grupo, a nova versão do plano recebeu o aval de credores que representam 57,49% dos créditos incluídos.
O texto foi aprovado pelo conselho de administração e será protocolado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo.
Como resultado dessas medidas, o plano de recuperação extrajudicial proporcionará liquidez relevante e reduzirá em mais de R$4 bilhões os desembolsos a serem realizados pela companhia nos próximos dois anos, aliviando o fluxo de caixa no período,
GPA
O grupo também afirmou que o plano “permitirá uma solução estruturada” para os desafios financeiros, ao tratar da liquidez no curto prazo e da sustentabilidade financeira no longo prazo.
O GPA acrescentou que suas operações seguem saudáveis e que a empresa está em dia com as obrigações com fornecedores.
Entenda a crise do GPA
O Grupo Pão de Açúcar enfrenta uma crise financeira desde 2022, com prejuízos recorrentes atribuídos principalmente à queda no consumo, à alta da inflação de alimentos e aos juros elevados, que encareceram as dívidas da empresa.
A companhia também foi impactada por custos ligados a mudanças de gestão, pagamento de dívidas fiscais e trabalhistas e fechamento de lojas com baixo desempenho. Mesmo com alguma melhora recente, o GPA continuou registrando resultados negativos.
No fim de 2025, o grupo acumulava um déficit de cerca de R$ 1,2 bilhão, pressionado por dívidas com vencimento próximo, e chegou a alertar o mercado sobre dúvidas em relação à capacidade de continuar operando no longo prazo.
Diante desse cenário, a empresa passou a adotar medidas para reorganizar as finanças, como renegociar dívidas, reduzir custos e buscar reforço de caixa, culminando no plano de recuperação extrajudicial.