Suspeito de estupro coletivo de duas crianças diz que crime foi “por zoeira”; polícia aponta confissão e vídeo dos abusos
Caso na Zona Leste de São Paulo é investigado desde abril após familiares encontrarem imagens nas redes; adulto foi preso na Bahia e transferido, e quatro adolescentes foram apreendidos.
06/05/2026 às 07:05por Redação Plox
06/05/2026 às 07:05
— por Redação Plox
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O homem de 21 anos suspeito de participar do estupro coletivo de duas crianças na Zona Leste de São Paulo afirmou, nesta terça-feira (5), que o crime teria sido cometido “por zoeira”, segundo o delegado Júlio Geraldo, titular do 63º Distrito Policial (Vila Jacuí), onde o caso é investigado.
De acordo com a polícia, Alessandro Martins dos Santos confessou participação no caso e reconheceu ser o autor do vídeo que registrou os abusos contra os meninos, de 7 e 10 anos. Ele será indiciado por estupro de vulnerável, corrupção de menores e compartilhamento de pornografia infantil.
Alessandro, preso por suspeita de participar de estupro coletivo, é levado para aeroporto na BA por policiais de SP. Ele seguirá algemado em voo para a capital paulista.
Foto: Divulgação/Polícia Civil de SP
Convite para empinar pipa e mudança de plano
Na delegacia, o suspeito afirmou que o crime não foi premeditado. Segundo a apuração, o grupo formado por Alessandro e quatro adolescentes teria convidado as vítimas para empinar pipa, mas depois mudou de ideia e decidiu cometer os abusos.
O convite para 'brincar de pipa' era real. Depois, mudaram de ideia e resolveram violentar as crianças. Ele [Alessandro] disse que foi 'por zoeira'
Delegado Júlio Geraldo
Conforme o delegado, Alessandro também relatou que um dos meninos estava sujo e que, por isso, o grupo teria oferecido que ele passasse na casa de um dos adolescentes para tomar banho e pegar linha de pipa. A versão, segundo a autoridade policial, foi confirmada por todos, inclusive pelas vítimas.
Júlio Geraldo disse ainda que o suspeito não demonstrou arrependimento durante o depoimento e teria mostrado preocupação principalmente com as consequências legais.
Investigação começou após vídeos circularem nas redes
O caso ocorreu no dia 21 de abril e passou a ser investigado três dias depois, quando familiares das vítimas tiveram acesso a vídeos dos abusos que circulavam nas redes sociais. De acordo com o delegado, o vídeo teria sido gravado com o celular de Alessandro, e a investigação tenta identificar quem deu continuidade aos compartilhamentos.
Segundo a polícia, não há, até o momento, indicação de crimes semelhantes anteriores envolvendo os investigados. O delegado classificou o episódio como uma “brincadeira de péssimo gosto” que evoluiu para um crime hediondo.
Adulto preso e quatro adolescentes apreendidos
Além da prisão de Alessandro, quatro adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, foram apreendidos por envolvimento no caso. A polícia afirma que os suspeitos conheciam as crianças e se aproveitaram de uma relação de confiança para atraí-las até o local onde ocorreram os abusos.
A delegada Janaína da Silva Dziadowczyk afirmou que os investigados eram vizinhos das vítimas e usaram o convite para soltar pipa para levá-las ao imóvel.
Prisão na Bahia e transferência para São Paulo
Alessandro foi preso na última sexta-feira (1º) pela Polícia Militar em Brejões (BA). A Polícia Civil de São Paulo enviou dois agentes ao estado para fazer a transferência do suspeito. A TV Globo informou que não conseguiu localizar as defesas dele e dos adolescentes.
Único adulto envolvido, Alessandro teria deixado São Paulo após ser ameaçado por criminosos, segundo policiais. A Polícia Civil investiga quem fez as ameaças e se elas também tinham o objetivo de intimidar as famílias das vítimas para que não procurassem as autoridades.
Dos quatro adolescentes envolvidos, dois foram apreendidos na capital paulista e um em Jundiaí. O quarto menor foi localizado após contato da polícia com familiares para viabilizar a apresentação na delegacia.
Os cinco suspeitos vão responder por estupro de vulnerável, divulgação de imagens e corrupção de menores. Os adolescentes serão encaminhados à Fundação Casa para cumprimento de medidas socioeducativas, e o adulto deve ser enviado a uma prisão comum.
Família soube do crime por vídeos e relatou pressão na comunidade
A polícia informou que o caso só chegou formalmente ao conhecimento das autoridades em 24 de abril, após a irmã de uma das vítimas reconhecer o irmão mais novo nas imagens que circulavam nas redes sociais e procurar a delegacia para registrar a denúncia.
De acordo com os policiais, a família vinha sendo pressionada por pessoas da comunidade a não registrar boletim de ocorrência. A polícia também relatou que a família chegou a deixar a comunidade após sofrer ameaças e que houve dificuldade para localizar as vítimas para os procedimentos iniciais.
Gravação e compartilhamento do material são alvo de apuração
A investigação aponta que o homem preso na Bahia teria tido a ideia de gravar o crime, filmando os abusos com o próprio celular e repassando os vídeos a amigos por WhatsApp. As imagens se espalharam pelas redes sociais, o que também configura crime. Agora, a polícia tenta identificar quem compartilhou o material.
Atendimento às vítimas e proteção garantida por lei
As crianças recebem atendimento médico e psicológico e são acompanhadas pelo Conselho Tutelar. As famílias também foram acolhidas por serviços sociais da Prefeitura de São Paulo. O local onde estão foi mantido em sigilo para proteger as vítimas, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).