Operação mira esquema do “Jogo do Tigrinho” e bloqueia R$ 11 milhões em sete estados
Segundo a PCDF, influenciadores digitais exibiam ganhos irreais com contas de demonstração para induzir seguidores a apostar; nove investigados podem responder por estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
06/05/2026 às 08:21por Redação Plox
06/05/2026 às 08:21
— por Redação Plox
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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nas primeiras horas desta quarta-feira (6/5), uma operação para desarticular um esquema criminoso ligado ao "Jogo do Tigrinho". A ação cumpriu mandados em sete estados e determinou o bloqueio de R$ 11 milhões associados a uma organização formada por influenciadores digitais suspeitos de lucrar ao induzir seguidores a perdas em plataformas de apostas manipuladas.
Jogo do Tigrinho, ou Fortune Tiger, é um jogo de caça-níquel para celulares
Foto: BBC/Reprodução/Fortune Tiger
Contas de demonstração forjavam ganhos para atrair vítimas
A dinâmica da fraude, segundo os investigadores, se baseava no uso de contas de demonstração que exibiam ganhos astronômicos e irreais para convencer o público a apostar. Os principais alvos apontados na apuração são Roberth Lucas, de 24 anos, e Eduarda Cavalcante, de 21, que divulgavam links direcionando as vítimas para plataformas com algoritmos programados para gerar prejuízo.
De acordo com a investigação, o esquema era rentável porque parte do dinheiro perdido pelos apostadores retornava aos influenciadores na forma de comissão.
Investigação começou após buscas em Brazlândia
As apurações ganharam tração em julho de 2024, após buscas na residência do casal em Brazlândia, no Distrito Federal. O histórico reunido pela Polícia Civil aponta uma estrutura piramidal, dividida entre líderes, operadores técnicos e influenciadores.
Para ocultar o fluxo de recursos, a rede criminosa usava servidores proxy e contas bancárias vinculadas a CPFs de terceiros, estratégia que, segundo os investigadores, ajudava a disfarçar a movimentação milionária.
Ostentação nas redes e suspeita de lavagem de dinheiro
Nas redes sociais, os investigados exibiam um padrão de vida considerado incompatível com qualquer atividade profissional declarada. Roberth Lucas, que afirmava ser estudante, aparecia em vídeos pagando compras de alto valor com maços de notas de R$ 100, além de registrar passeios de lancha e estadias em resorts à beira-mar.
Mandados em sete estados e bens bloqueados
A força-tarefa cumpriu mandados no Distrito Federal e também em Goiás, São Paulo, Maranhão, Paraíba, Rio de Janeiro e Bahia. A Justiça determinou o bloqueio dos bens com o objetivo de interromper a atividade do grupo e viabilizar eventual ressarcimento às vítimas.
Ao todo, nove investigados podem responder por estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Investigado nega acusações em postagem nas redes
Em declaração publicada nas redes sociais, Roberth Lucas negou as acusações e disse estar sendo perseguido.
Estão tentando me empurrar como um líder de quadrilha organizada. Já tentaram me envolver com com todo tipo de crime. Já falaram que eu lavo dinheiro pelo crime organizado, que eu sou do crime organizado. Agora sou líder de quadrilha.