STF inicia julgamento sobre partilha de royalties do petróleo; mudança pode afetar RJ, ES e SP

Corte analisa ações sobre a constitucionalidade das regras de distribuição entre estados e municípios, 13 anos após liminar que suspendeu lei aprovada em 2012.

06/05/2026 às 07:40 por Redação Plox

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar, nesta quarta-feira (6), ações que discutem as regras de distribuição, entre estados e municípios, dos recursos gerados pela produção de petróleo.

A análise ocorre 13 anos após uma decisão individual da ministra Cármen Lúcia ter suspendido a aplicação da legislação em debate. A liminar impediu que as novas regras de partilha entrassem em vigor de forma imediata.

O tema chegou a ser incluído na pauta do STF em 2020, mas acabou retirado após pedido de 17 governadores, que buscavam um acordo com o governo federal. No fim de 2022, houve uma tentativa de consenso e, em 2023, o assunto foi encaminhado, no âmbito da Corte, para negociações entre a União e os estados.


Supremo Tribunal Federal marca para quarta (6) julgamento da lei que modifica distribuição dos royalties do petróleo

Supremo Tribunal Federal marca para quarta (6) julgamento da lei que modifica distribuição dos royalties do petróleo

Foto: Jornal Nacional/ Reprodução


O que o STF vai analisar

Os ministros julgam ações que tratam da validade de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional em 2012, que redefiniu critérios para a partilha das receitas obtidas com a exploração do petróleo, como royalties e participações especiais.

Royalties são uma compensação financeira paga por empresas do setor ao Estado brasileiro pelo direito de extrair petróleo e gás natural no território nacional. Já as participações especiais são uma compensação adicional, cobrada apenas de campos com grande volume de produção ou alta rentabilidade.

A lei previa uma distribuição mais igualitária dessas receitas entre entes produtores e não produtores, tanto para blocos já em operação quanto para áreas futuras de produção.

O texto foi vetado pela então presidente Dilma Rousseff, mas o veto foi derrubado posteriormente pelo Congresso, o que restabeleceu a lei.

A liminar de 2013 e a disputa constitucional

O estado do Rio de Janeiro acionou o STF, alegando que a norma é inconstitucional. No início de 2013, a ministra Cármen Lúcia concedeu liminar suspendendo os efeitos da lei e mantendo as regras que seguem em vigor até hoje.

Com o julgamento, a Corte vai decidir se a norma debatida está ou não de acordo com a Constituição.

Estados não produtores defendem que a lei é constitucional por reorganizar os critérios de distribuição de receitas de forma alinhada ao objetivo constitucional de reduzir desigualdades regionais.

Uma eventual mudança tende a impactar principalmente Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, apontados como os principais estados produtores de petróleo.

Segundo um estudo da Federação das Indústrias do Rio, o estado e seus municípios perderiam R$ 21 bilhões por ano em royalties e participações especiais.

Como pode ficar a redistribuição dos royalties

Pelas regras atuais, a União recebe em torno de 30% do total de royalties.

Se a lei de 2012 passar a valer, esse percentual cairá para 20%. Já os estados e municípios produtores deixariam de receber 61% para ficar com 26%, após um período de transição de sete anos. O fundo especial destinado a estados e municípios não produtores subiria de 8,75% para 54%.

Mudanças previstas nas participações especiais

A lei também altera a divisão das participações especiais. Pela proposta, a parcela da União passaria de 50% para 46%.

Estados e municípios produtores cairiam de 50% para 24%. Já estados e municípios não produtores, que hoje não recebem esses valores, passariam a ter direito a 30%.

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