Pesquisa aponta que 31% dos homens da geração Z acham que esposas devem obedecer aos maridos
Levantamento internacional da Ipsos com instituto ligado ao King’s College London ouviu mais de 23 mil pessoas em 29 países e também indica que 33% dos homens da geração Z defendem que o marido tenha a palavra final em decisões importantes
07/03/2026 às 09:14por Redação Plox
07/03/2026 às 09:14
— por Redação Plox
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Um levantamento internacional divulgado na semana do Dia Internacional da Mulher mostra que 31% dos homens da geração Z defendem que “a esposa deve sempre obedecer ao marido”. O estudo, conduzido pela Ipsos em parceria com o Global Institute for Women’s Leadership, da King’s Business School (King’s College London), ouviu mais de 23 mil pessoas em 29 países, entre eles Brasil, Estados Unidos e Reino Unido, e expõe diferenças marcantes entre gerações e entre homens e mulheres.
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Foto: pixabay
Homens jovens mais alinhados a papéis tradicionais
De acordo com o relatório, homens da geração Z — nascidos entre 1997 e 2012 — aparecem com índices mais elevados de concordância com visões tradicionais de casamento. Além dos 31% que apoiam a ideia de que “a esposa deve sempre obedecer ao marido”, 33% dizem que o marido deveria ter a palavra final em decisões importantes.
O estudo indica ainda que, em alguns pontos, os homens mais jovens se mostram mais conservadores que os mais velhos. Entre os baby boomers, 13% concordaram com a afirmação sobre “obediência” da esposa, e 17% apoiam a ideia de que o marido dê a palavra final em decisões relevantes.
No recorte por gênero, a aprovação é menor entre mulheres. Entre mulheres da geração Z, 18% dizem concordar com a frase sobre “obediência”; entre mulheres baby boomers, o índice cai para 6%.
Contraste entre igualdade no discurso e prática
No Brasil, o tema ganhou destaque em veículos nacionais ao evidenciar o contraste entre discursos de igualdade de gênero e a permanência — ou possível retorno — de expectativas tradicionais entre parte dos jovens homens. A pesquisa funciona como termômetro de valores em disputa dentro da própria geração Z, especialmente em relação ao casamento e à divisão de poder nos relacionamentos.
A Ipsos descreve o levantamento como parte do recorte de 2026 para o Dia Internacional da Mulher, realizado via plataforma Ipsos Global Advisor em 29 países. Segundo a empresa, os resultados revelam uma “dualidade” nas respostas: ao mesmo tempo em que parte dos homens da geração Z valoriza mulheres com carreira bem-sucedida, esse mesmo grupo desponta como o mais propenso a concordar com afirmações tradicionais sobre papéis de gênero no casamento.
A professora Heejung Chung, diretora do instituto parceiro, aponta que há um descompasso entre o que as pessoas dizem acreditar pessoalmente e o que imaginam ser a expectativa social. Essa tensão, indica a análise, pode pressionar comportamentos, sobretudo entre homens jovens.
Repercussões para famílias, educação e políticas públicas
Para famílias e casais, os dados tendem a alimentar debates sobre divisão de responsabilidades, tomada de decisão e limites entre acordos conjugais e sinais de controle ou violência psicológica nos relacionamentos.
Em escolas e universidades, o levantamento reforça a importância de ações de educação para igualdade de gênero, prevenção da violência e letramento sobre relacionamentos saudáveis, diante de um cenário em que parte dos jovens naturaliza hierarquias entre marido e esposa.
Em empresas e no campo das políticas públicas, os resultados podem orientar discussões sobre campanhas de conscientização — especialmente em março, mês do Dia Internacional da Mulher — e sobre iniciativas de enfrentamento à violência contra a mulher e ao machismo, com foco na juventude.
Limites da pesquisa e próximos desdobramentos
O estudo é global e os percentuais citados representam médias do conjunto de países participantes. O material consultado não apresenta, nesta página, um recorte específico apenas do Brasil para a pergunta sobre “obediência”, o que limita conclusões detalhadas sobre o cenário nacional.
Entre os próximos passos, está o acompanhamento de possíveis divulgações de tabelas detalhadas por país, inclusive com informações sobre amostragem e margens de erro por nação e por faixa etária. Outra frente é ouvir especialistas em sociologia, psicologia, direito de família e políticas para mulheres para contextualizar os dados e apontar caminhos em termos de prevenção e educação.
Também deve seguir em observação a repercussão nas redes sociais e em grupos de juventude, já que o tema costuma suscitar desinformação e generalizações sobre toda a geração Z, apesar de a pesquisa indicar um quadro diverso e marcado por contrastes internos.