Petróleo sobe quase 30% na semana com escalada da guerra no Oriente Médio e risco no Estreito de Hormuz

Brent avançou cerca de 27% e fechou por volta de US$ 92,69, enquanto o WTI terminou perto de US$ 90,90; no Brasil, avaliação aponta que repasse aos combustíveis tende a ser gradual

07/03/2026 às 09:02 por Redação Plox

A escalada do conflito no Oriente Médio levou o mercado de energia a uma forte correção de preços, com o petróleo acumulando uma disparada próxima de 30% na semana. O Brent registrou uma das maiores altas semanais em anos, acompanhado por uma forte valorização do WTI, em um cenário de temor de interrupções na oferta e de novos gargalos logísticos em uma das principais rotas do comércio global de combustíveis fósseis.

Foto: Petrobras


No centro das preocupações está o risco de gargalo no Estreito de Hormuz, somado à guerra na região, o que vem sustentando o salto dos preços internacionais do barril. A combinação de conflito armado, incerteza geopolítica e aumento do prêmio de risco reacendeu a aversão dos investidores e pressionou todo o mercado de petróleo.

Petróleo sobe quase 30% na semana com guerra e risco no Estreito de Hormuz

O movimento de alta ganhou força com o agravamento da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, elevando o prêmio de risco e a preocupação com o fluxo de navios petroleiros no Golfo Pérsico. A região concentra uma rota estratégica para a exportação de petróleo, e qualquer sinal de bloqueio ou atraso afeta diretamente as expectativas de oferta.

Na semana encerrada na sexta-feira (06/03/2026), o Brent fechou em torno de US$ 92,69, com avanço semanal de cerca de 27%, aproximando-se de 30% em diferentes recortes e horários de negociação. O WTI também encerrou a semana em forte alta, em torno de US$ 90,90, com ganho percentual ainda maior.

Um dos principais focos de tensão é o Estreito de Hormuz, passagem estratégica por onde circula uma parcela relevante do petróleo transportado por via marítima. O aumento da percepção de risco nessa rota eleva custos de frete e de seguro, o que se traduz em pressão adicional sobre os preços do barril.

Repasse ao consumidor no Brasil tende a ser gradual

No Brasil, a avaliação divulgada pela Agência Brasil (EBC) é que o impacto da alta internacional não chega automaticamente às bombas. O repasse ao consumidor depende de fatores como nível de estoques, dinâmica de importação e decisões de preços ao longo da cadeia de refino, distribuição e revenda.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) segue como a referência oficial para o monitoramento dos preços de combustíveis no país, com levantamentos semanais de gasolina, etanol, diesel e GLP. Esses dados permitem identificar se, quando e em que ritmo a alta de quase 30% do petróleo na semana começa a aparecer nos preços médios ao consumidor.

Gasolina, diesel e efeitos em fretes e alimentos

Para consumidores de gasolina e diesel, a valorização do petróleo no mercado internacional costuma se refletir no Brasil em etapas. Mesmo com uma disparada em poucos dias “lá fora”, as mudanças internas tendem a ser graduais, influenciadas por políticas comerciais, câmbio e momento de recomposição de estoques.

Regiões mais dependentes de importação podem sentir primeiro a pressão de custos, especialmente em períodos de maior necessidade de compra de combustíveis no exterior. Estados com grande malha rodoviária e concentração de centros de distribuição, como MG, SP, RJ e PR, tendem a ser sensíveis a variações do preço do diesel, que impactam diretamente o transporte de cargas.

Diesel mais caro eleva o custo dos fretes, o que pode chegar às prateleiras na forma de aumentos em alimentos e produtos industrializados. Esse efeito é parte de uma relação econômica mais ampla, que depende tanto da duração da alta do petróleo quanto do espaço das empresas para absorver ou repassar custos.

Empresas, investimentos e volatilidade de mercado

O salto do petróleo favorece exportadores de óleo, que veem potencial para aumento de receitas com a venda externa de barris a preços mais altos. Ao mesmo tempo, setores intensivos em combustível – como logística, aviação e parte da indústria – enfrentam elevação de custos operacionais.

Nos mercados financeiros, o cenário de guerra no Oriente Médio, somado ao risco de gargalo no Estreito de Hormuz, tende a elevar a volatilidade e a aversão ao risco. A reprecificação rápida do petróleo amplia a incerteza de investidores em relação a inflação, juros e desempenho de empresas expostas a combustíveis fósseis.

O que observar nas próximas semanas

No curto prazo, um dos principais pontos de atenção é a evolução dos indicadores oficiais de preços da ANP. As próximas edições semanais devem mostrar se a alta internacional próxima de 30% na semana começa a se refletir de maneira consistente nos preços da gasolina, do diesel e do GLP ao consumidor final e em quais regiões o movimento será mais intenso.

Também entram no radar decisões e informações sobre oferta e logística na região do Golfo. Qualquer sinal de normalização – ou deterioração – no tráfego marítimo, na segurança das rotas e na infraestrutura energética pode provocar novos movimentos bruscos na cotação do barril.

O quadro segue em apuração, com elevada incerteza. Mudanças em rotas, condições de seguro, estoques e níveis de produção têm potencial para alterar rapidamente as expectativas do mercado, mantendo o petróleo, já em alta de quase 30% na semana, no centro das atenções globais.

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