Troca de acusações entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira expõe disputa pelo comando do bolsonarismo
Confronto iniciado na Sexta-Feira da Paixão revela divisão em dois blocos e gera efeitos na montagem de chapas, com reflexos também em Minas Gerais
07/04/2026 às 13:58por Redação Plox
07/04/2026 às 13:58
— por Redação Plox
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O confronto nas redes entre o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o também deputado Nikolas Ferreira extrapolou uma troca de farpas iniciada na Sexta-Feira da Paixão e expôs uma disputa mais ampla dentro do bolsonarismo. Eduardo repete a acusação de que Nikolas estaria fazendo “corpo mole” para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Disputa interna iniciada nas redes movimenta o PL nacionalmente •
Foto: Reprodução
Dois grupos disputam o comando do bolsonarismo
O embate se organiza em dois blocos. De um lado, estão Nikolas Ferreira, o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Do outro, Eduardo Bolsonaro e lideranças consideradas mais “raiz”, descritas como politicamente dependentes da família Bolsonaro.
A tensão entre esses grupos, segundo a avaliação exposta no texto, influenciou a montagem das chapas do campo bolsonarista para a Presidência, para governos estaduais e, principalmente, para a definição de candidaturas ao Senado nos estados.
Plano nacional: Tarcísio, Michelle e a pressão por apoio a Flávio
No cenário nacional, Nikolas, Michelle e Tarcísio sustentavam a possibilidade de uma candidatura de Tarcísio à Presidência, com Michelle como vice. Já Eduardo defendia que o legado político da família deveria ficar com um dos filhos e, nesse movimento, atuou pela candidatura de Flávio Bolsonaro.
O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, também trabalhou pela candidatura de Tarcísio, que acabou descartada. Com o fim do prazo de desincompatibilização, Tarcísio permaneceu no comando do governo paulista e vai disputar a reeleição. Nesse contexto, Valdemar aparece transitando entre os dois grupos, e a disputa interna reforça sua posição dentro do partido.
Valdemar tenta equilibrar forças e disputa passa pelas chapas
De um lado, Valdemar dribla Nikolas ao incluir nas chapas proporcionais para deputado federal — especialmente em Minas — nomes que desagradam ao parlamentar. O texto aponta que o projeto político de Nikolas passa por eleger uma bancada federal diretamente vinculada ao seu comando.
De outro, Valdemar tem declarado publicamente que Flávio precisa do apoio de Nikolas, Michelle e Tarcísio. Nessa direção, Flávio apresentou uma Proposta de Emenda Constitucional para acabar com a reeleição para a Presidência, em um gesto visto como tentativa de agradar principalmente Tarcísio, apontado como nome potencial do campo para 2030.
Na prática, a avaliação registrada é que a proposta tem baixa probabilidade de aprovação em 2026 e poderia, a partir de 2027, ficar “hibernando” no Congresso, como outras matérias que só avançam quando convém. O objetivo seria sinalizar que, caso eleito, Flávio não disputaria a reeleição, abrindo espaço para outros nomes, como Tarcísio.
Repercussão em Minas: Cleitinho ou Mateus Simões
O desentendimento entre as duas alas também repercute em Minas Gerais. O grupo ligado a Eduardo Bolsonaro tende a defender apoio ao senador Cleitinho na disputa ao governo do estado. Já o grupo de Nikolas Ferreira trabalha, por enquanto, pela candidatura à reeleição do governador Mateus Simões (PSD).
Para além das articulações em torno das eleições de 2026, o pano de fundo é a disputa por liderança: quem comandará o campo da direita bolsonarista no futuro.