PEC contra reeleição é vista como aceno ao centro e a Tarcísio de Freitas, dizem bastidores
Defendida por Flávio Bolsonaro, proposta mira sucessão de 2030 e manteria regras atuais para prefeitos, governadores e parlamentares
07/04/2026 às 09:42por Redação Plox
07/04/2026 às 09:42
— por Redação Plox
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A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da reeleição presidencial, defendida por Flávio Bolsonaro (PL), vem sendo lida nos bastidores como um sinal ao centro e a lideranças políticas, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A avaliação é que, se a medida avançar, ela pode aumentar a rotatividade no Palácio do Planalto e abrir espaço para novas costuras políticas com foco no ciclo eleitoral.
Nessa lógica, a articulação envolveria um arranjo em que apoios construídos agora poderiam ser convertidos em alianças mais adiante, considerando a sucessão presidencial de 2030.
Flávio Bolsonaro diz que trabalhará pelo fim do instituto da reeleição presidencial
Foto: • Carlos Moura/Agência Senado
Aceno ao centro e ao Republicanos
Tarcísio de Freitas, que disputa a reeleição em São Paulo, aparece como um dos nomes que, em 2030, estará disponível para uma corrida presidencial. Segundo o texto, o governador trabalha para levar o Republicanos — partido com forte representação ligada à igreja evangélica — para a chapa de Flávio Bolsonaro.
O material também registra que Tarcísio já antecipou que fará palanque para o bolsonarista, independentemente da posição adotada pela legenda.
Proposta mira apenas a reeleição no Executivo
Para reduzir resistências, a proposta descrita não mexe com a possibilidade de reeleição de parlamentares e se restringe ao Poder Executivo. Prefeitos e governadores, de acordo com o texto, também não seriam afetados e poderiam continuar concorrendo à reeleição uma vez, mantendo a regra atual.
Estratégia de negociação com ganhos futuros
A matéria aponta que negociar com expectativa de futuro é uma prática comum, sobretudo entre políticos que buscam cargos no Executivo sem ocupá-los no momento. Enquanto candidatos à reeleição podem oferecer cargos e entregas imediatas a aliados, quem está fora da cadeira tende a se apoiar, além do alinhamento ideológico e programático, em promessas e ganhos projetados para o futuro para viabilizar alianças.
Crescimento nas pesquisas amplia espaço para articulações
O avanço e a consolidação do nome de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto, segundo o texto, têm ampliado as condições para que ele negocie com base em uma perspectiva mais concreta de vitória.
Entre os exemplos citados está o PSD, que busca se firmar como o maior partido do Brasil. A legenda pretende ter candidato próprio, mas, ainda assim, pelo menos dois dos três presidenciáveis filiados ao partido são vistos pelo PL como potenciais ministros em um eventual governo Flávio.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) também é mencionado como um nome bem avaliado para composição futura. A avaliação apresentada é que, mesmo que algumas alianças não se fechem no primeiro turno, elas tendem a ser definidas no segundo — e que, quanto maior a chance de eleição, mais atraentes se tornam as composições.