Vetos de China e Rússia derrubam resolução da ONU contra bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã

Projeto apresentado pelo Bahrein em nome de países do Golfo condenava o fechamento da rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás do mundo, mas foi barrado no Conselho de Segurança

07/04/2026 às 16:37 por Redação Plox

Com os vetos de China e Rússia, ambos membros permanentes, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) rejeitou um projeto de resolução apresentado pelo Bahrein, em nome dos países do Golfo Pérsico, que condenava o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.

O texto criticava apenas as retaliações iranianas, sem mencionar agressões de Estados Unidos (EUA) e Israel. Também defendia a soberania dos países do Golfo, mas não citava a integridade territorial ou a independência política do Irã.

A proposta afirmava o direito de os Estados-membros, em conformidade com o direito internacional, defenderem suas embarcações contra ataques e provocações, inclusive ações que prejudiquem direitos e liberdades de navegação.


Rússia e China vetam resolução que condenava o fechamento do Estreito de Ormuz.

Foto: Reprodução


Votação teve 11 votos favoráveis e duas abstenções

Onze integrantes do Conselho votaram a favor do projeto: Bahrein, EUA, Reino Unido, França, Dinamarca, Grécia, Panamá, Libéria, Letônia e Congo. Colômbia e Paquistão se abstiveram.

Bahrein defendeu condenação e citou peso estratégico de Ormuz

Ao pedir a aprovação do texto, o Bahrein — representando Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia — afirmou que o Irã não teria o direito de fechar o Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do petróleo e do gás mundiais.

A não adoção desta resolução envia um sinal errado ao mundo, aos povos do mundo — um sinal de que as ameaças às vias navegáveis ​​internacionais podem passar sem qualquer ação decisiva da comunidade internacional

ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani

Pelo direito internacional, o uso da força só pode ser exercido por Estados quando aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU ou em situações de autodefesa.

Irã diz agir em retaliação e contesta projeto

O Irã fechou o Estreito de Ormuz em retaliação à agressão sofrida por Israel e pelos EUA e prometeu manter o canal fechado para países hostis à República Islâmica. O embaixador de Teerã, Amir Saeid Iravani, afirmou que o objetivo do projeto apresentado pelo Bahrein seria punir o Irã por defender sua soberania e seus interesses no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.

Iravani acrescentou que, na essência, a proposta teria sido dos EUA e que Washington e Tel-Aviv deveriam assumir a “total responsabilidade” pelo sofrimento imposto, ao mesmo tempo em que assegurou que “embarcações não hostis” poderiam atravessar livremente o Estreito.

Rússia chama texto de “errôneo e perigoso”

O embaixador da Rússia, Vassily Nebenzia, afirmou que o texto submetido ao Conselho de Segurança tem abordagem fundamentalmente “errônea e perigosa para a situação na região”. Para o diplomata, a proposta do Bahrein colocaria o Irã como única fonte de tensões regionais, sem mencionar ataques ilegais dos EUA e de Israel.

Nebenzia também lembrou que a “interpretação vaga e abrangente” da Resolução 1973, de 2011, prejudicou a Líbia. Naquele ano, o Conselho autorizou o uso da força contra o governo líbio de Muammar Gaddafi sob a alegação de “proteger civis”, o que levou à queda do líder. Desde então, a Líbia não tem um governo unificado, e o controle territorial permanece fragmentado entre grupos muitas vezes rivais.

Segundo Nebenzia, Rússia e China devem apresentar “em breve” uma resolução alternativa, que, de acordo com ele, será “concisa, equitativa e equilibrada”.

China diz que texto ignora “causas profundas” do conflito

A China afirmou que o projeto não conseguiu captar as “causas profundas e o quadro completo do conflito de forma abrangente e equilibrada”, de acordo com o embaixador Fu Cong. Ele acrescentou que o Conselho de Segurança não deveria se precipitar na votação de uma resolução “quando sérias preocupações foram levantadas por seus membros”.

Fu Cong disse que a China está comprometida em lidar com a situação de forma adequada, enfrentando suas causas profundas. Também declarou que “esta guerra nunca deveria ter acontecido”, atribuiu aos EUA e a Israel o papel de instigadores e pediu que interrompam as “ações militares ilegais”. Ao mesmo tempo, solicitou ao Irã que suspenda seus ataques.

EUA dizem que Ormuz não pode ser usado “como refém”

O representante dos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU, embaixador Michael Waltz, afirmou que o Estreito de Ormuz é vital demais para o mundo para ser usado “como refém, bloqueado ou instrumentalizado por qualquer Estado”. Os EUA disseram se solidarizar com os povos do Golfo e acusaram China e Rússia de se alinharem a um “regime que busca intimidar o Golfo para subjugá-lo”.

Após a agressão dos EUA e de Israel contra o Irã, o país passou a retaliar bases militares norte-americanas e infraestruturas energéticas localizadas nos países do Golfo. Teerã sustenta que esses países integram a guerra ao permitirem o uso de seus territórios e de seu espaço aéreo para ataques contra o Irã.

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