Quem era a juíza que morreu após procedimento de coleta de óvulos para fertilização assistida
Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, passou mal após a coleta de óvulos, foi internada na UTI e teve o óbito declarado após duas paradas cardiorrespiratórias; Polícia Civil apura o caso
07/05/2026 às 10:49por Redação Plox
07/05/2026 às 10:49
— por Redação Plox
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Morta na quarta-feira (6/5) após um procedimento de reprodução assistida, a juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, havia assumido havia cerca de três meses no Juizado da Vara Criminal de Sapiranga, no Rio Grande do Sul. O caso ocorreu em uma clínica de Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, onde ela realizou a coleta de óvulos para fertilização in vitro.
Mariana Francisco Ferreira teve hemorragia vaginal e morreu na quarta-feira (6/5) após procedimento em clínica de Mogi das Cruzes
Foto: Reprodução/TJRS/Ajuris
Trajetória na magistratura
Nascida em Niterói (RJ), Mariana tinha desde a adolescência o sonho de se tornar juíza e começou a se preparar para a carreira em 2018. Em 2023, cinco anos depois, foi aprovada no concurso para a 1ª Vara Judicial da Comarca de Parobé, também no estado gaúcho.
Em 2025, atuou no Juizado da 1ª Vara Regional de Garantias na Comarca de Porto Alegre e, na sequência, na 1ª e 2ª Vara Criminal de São Luiz Gonzaga. Em fevereiro deste ano, foi designada para a Vara Criminal de Sapiranga.
O que diz o boletim de ocorrência
De acordo com o boletim de ocorrência, Mariana realizou a coleta de óvulos para fertilização in vitro em uma clínica de Mogi das Cruzes. O procedimento ocorreu na manhã de segunda-feira (4), na clínica Invitro Reprodução Assistida, e, após cerca de uma hora, ela deixou o local.
Já em casa, pouco tempo depois, a juíza começou a se queixar de frio e a gritar de dor. Ela foi levada de volta ao estabelecimento e relatou à equipe médica que havia urinado na própria roupa. Os profissionais, porém, constataram um sangramento em razão de uma hemorragia vaginal.
O primeiro atendimento foi feito pelo mesmo médico responsável pela coleta de óvulos, que realizou uma sutura no ferimento e orientou que Mariana fosse levada à Maternidade Mogi Mater. Ela ficou internada na unidade de terapia intensiva (UTI) e, no dia seguinte, passou por uma cirurgia.
Na madrugada de quarta-feira (6), dois dias após o procedimento na clínica, Mariana sofreu duas paradas cardiorrespiratórias. A equipe médica tentou reanimá-la, mas não conseguiu. O óbito foi declarado às 6h03.
A Polícia Civil investiga o caso e requisitou exames ao Instituto de Criminalística e ao Instituto Médico-Legal. A ocorrência foi registrada como morte suspeita no 1° DP de Mogi das Cruzes.
Atuação e reuniões no início do ano
No início de março, Mariana se reuniu com autoridades da Polícia Civil para discutir temas relacionados à violência doméstica, como o fluxo de procedimentos, medidas protetivas de urgência e o uso de tornozeleiras eletrônicas.
Homenagens e luto oficial
Profissionais que trabalharam com Mariana destacaram o entusiasmo com que ela exercia a função.
Com profunda tristeza nos despedimos da magistrada Mariana Francisco Ferreira, colega que marcou sua passagem pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul pelo zelo na apreciação das causas, pelo comprometimento com a efetividade das decisões e pelo entusiasmo e sensibilidade no exercício de suas funções
juíza-corregedora Viviane Castaldello Busatto
O presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), Daniel Neves Pereira, também lembrou as qualidades da magistrada.
O tribunal gaúcho decretou luto oficial de três dias e determinou que as bandeiras fossem hasteadas a meio-mastro nos prédios do Tribunal e do Palácio da Justiça.