Economia

ANP autoriza primeira usina de etanol de trigo do Brasil no Rio Grande do Sul

CB Bioenergia inicia operação em Santiago (RS) com investimento inicial de R$ 100 milhões, capacidade para processar 100 toneladas de trigo por dia e meta de produzir até 12 milhões de litros de etanol por ano, com plano de expansão a 50 milhões de litros até 2027

08/01/2026 às 16:42 por Redação Plox

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou o início das operações da primeira usina de etanol produzida a partir de trigo no Brasil. A planta pertence à CB Bioenergia e está localizada no município de Santiago, no Rio Grande do Sul. A liberação para funcionamento foi publicada nesta quinta-feira (08/01) no Diário Oficial da União (DOU).

Imagem ilustrativa

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Foto: Pixabay


Em novembro do ano passado, a empresa já havia obtido a licença de operação da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), ambas ligadas ao governo gaúcho. Com a autorização da ANP agora oficializada no DOU, a CB Bioenergia passa a produzir etanol hidratado a partir da próxima segunda-feira (12/01).

Investimento inicial e planos de expansão

A usina gaúcha de biocombustíveis recebeu investimentos de R$ 100 milhões nesta primeira fase do projeto. A CB Bioenergia terá capacidade para processar 100 toneladas de trigo por dia e mira a produção de até 12 milhões de litros de etanol hidratado por ano.

Os planos da companhia preveem uma expansão significativa da unidade. A meta é alcançar entre 45 milhões e 50 milhões de litros de etanol por ano até 2027, o que dependerá de novos aportes estimados em R$ 500 milhões.

Origem do projeto e uso do trigo excedente

O complexo industrial pertence à família Bonotto, tradicional no cultivo de trigo. A usina foi concebida como uma alternativa para agregar valor ao excedente do cereal produzido nas fazendas do grupo.

Hoje, o trigo que não atinge o padrão considerado ideal para a fabricação de farinha de pão sofre uma desvalorização de cerca de 30%, o que leva muitos produtores a destiná-lo à exportação como ração animal. A transformação desse grão em etanol surge, assim, como uma forma de aproveitar melhor essa parcela da produção.

Inspiração no modelo do etanol de milho

A iniciativa da família Bonotto se inspirou na estratégia adotada por produtores de milho do Centro-Oeste, que ergueram usinas de etanol de milho para dar destino ao excesso de oferta do grão no campo. O modelo de negócio busca replicar, no Rio Grande do Sul, a lógica de verticalização que consolidou o etanol de milho como alternativa relevante na matriz de biocombustíveis.

Portfólio de produtos além do etanol hidratado

Em um primeiro momento, a usina foi concebida para produzir apenas álcool hidratado para uso como combustível e DDGs, um tipo de farelo destinado à nutrição animal. Porém, o projeto evoluiu para incluir um portfólio mais amplo.

A CB Bioenergia também deverá fabricar álcool neutro, utilizado na indústria de bebidas e cosméticos; álcool em gel; álcool 70, voltado a outros usos; e CO₂, gás aplicado na produção de água mineral, refrigerantes e em processos de soldagem. A diversificação de produtos amplia as fontes de receita e reduz a dependência exclusiva do mercado de combustíveis.

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