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Política
No aniversário de 8 de janeiro, Lula veta projeto que reduziria penas de golpistas
Em cerimônia no Planalto, presidente barra integralmente projeto de dosimetria que previa redução de penas para crimes contra a democracia e poderia beneficiar Bolsonaro e ex-ministros; decisão agora será analisada pelo Congresso
08/01/2026 às 16:18por Redação Plox
08/01/2026 às 16:18
— por Redação Plox
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No terceiro aniversário dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou integralmente, nesta quinta-feira (8/1), o projeto de lei da Dosimetria, aprovado pelo Congresso Nacional, que previa a redução de penas para condenados por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Entre os possíveis beneficiados estavam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ex-ministros de seu governo.
Com o veto presidencial, caberá agora a deputados federais e senadores decidir se mantêm ou derrubam a decisão do Poder Executivo. O Congresso está em recesso e só retoma as atividades na primeira semana de fevereiro. A definição da data da sessão para análise do veto ficará a cargo do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).
Lula assina veto integral ao PL da Dosimetria
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula chama condenados de ‘traidores da pátria’
Na primeira agenda pública de 2026, no Palácio do Planalto, Lula comandou uma cerimônia em memória dos atos que resultaram em vandalismo e depredação das sedes dos Três Poderes. Durante o evento, ele classificou os condenados pelo 8 de janeiro como “traidores da pátria” e afirmou que a data ficará registrada como um marco da reação das instituições democráticas.
Em sua fala, o presidente se referiu ao 8 de janeiro como “o dia da vitória da democracia” contra aqueles que, segundo ele, tentaram tomar o poder pela força, desprezando o resultado das urnas. Lula associou os envolvidos aos que “sempre defenderam a ditadura, a tortura e o extermínio de adversários” e que buscavam submeter o país a um regime de exceção.
Defesa do STF e crítica à Lava Jato
Lula também defendeu as condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos envolvidos no 8 de janeiro, classificando os julgamentos como “transparentes e imparciais”. Ao tratar das decisões que atingiram Bolsonaro e seus aliados, o presidente fez uma referência indireta às condenações que sofreu na Lava Jato, posteriormente anuladas pelo próprio STF.
Sem citar nomes, ele contrapôs os processos relacionados ao 8 de janeiro às investigações da operação, ao afirmar que as atuais condenações foram baseadas em provas e não em métodos que já criticou em outras ocasiões. A fala reforçou o apoio do Planalto à atuação do STF nos casos ligados aos ataques às instituições.
Crimes do 8 de janeiro e impossibilidade de anistia
Na mesma cerimônia, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que está de saída do governo, declarou que os crimes ligados ao 8 de janeiro não podem ser anistiados. Ele afirmou que, pela Constituição, crimes contra a democracia são imprescritíveis e não podem ser alvo de indulto, graça ou anistia, reforçando a linha dura do governo em relação aos responsáveis pelos atos.
O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, também discursou brevemente. Ele destacou que a responsabilização penal dos envolvidos é condição para preservar o Estado de Direito, defendendo que quem rompeu com a legalidade e cometeu crimes deve enfrentar o rigor da Justiça e o julgamento da história.
Simbolismo da data pesou na decisão
Antes da assinatura, Lula foi aconselhado por alguns auxiliares a deixar a decisão sobre o veto para a próxima segunda-feira (12/1), prazo final para manifestação do Executivo. Havia a avaliação de que anunciar o veto na cerimônia no Planalto poderia ser interpretado como um gesto de confronto com a cúpula do Congresso Nacional. Ainda assim, prevaleceu a avaliação política de que o presidente não deveria abrir mão do simbolismo de vetar o projeto exatamente na data dos três anos dos ataques.
O que previa o projeto da dosimetria
A proposta aprovada pelo Congresso no fim de 2025 estabelecia novos critérios para o cálculo das penas aplicadas a condenados por crimes contra a democracia. O texto previa a possibilidade de redução das punições conforme o grau de participação de cada réu nos atos, o que poderia atenuar penas de acusados considerados de menor envolvimento.
Mais de 800 condenados pelos atos golpistas
Desde 2023, o Supremo Tribunal Federal já condenou mais de 800 pessoas pelos ataques de 8 de janeiro, quando manifestantes insatisfeitos com a derrota de Bolsonaro para Lula invadiram e depredaram o STF, o Palácio do Planalto e outras instalações do poder em Brasília. As penas aplicadas pelo tribunal chegam a até 17 anos de prisão, em um processo que o governo e o STF tratam como um divisor de águas na proteção da democracia brasileira.