“Gota no oceano”: PF analisou só 30% de celular apreendido em investigação que cita Vorcaro e Banco Master
Perícia parcial no aparelho pode influenciar decisões sobre cautelares, prisões e até a competência do caso, com disputa sobre custódia, acesso aos dados e a data em que o material chegou ao STF.
08/03/2026 às 11:39por Redação Plox
08/03/2026 às 11:39
— por Redação Plox
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A investigação envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master voltou ao centro do noticiário com a informação de que a perícia da Polícia Federal no conteúdo do celular apreendido avançou apenas de forma parcial, descrita por autoridades como equivalente a “uma gota no oceano”. Enquanto isso, o caso segue cercado por disputas sobre a custódia, a tramitação e o acesso ao material extraído, em meio a movimentações no Supremo Tribunal Federal (STF) e na PF, tanto em público quanto nos bastidores.
Daniel Vorcaro
Foto: Reprodução/YouTube Valor Econômico
Perícia em andamento e alcance limitado
Reportagens recentes apontam que a análise de aparelhos e mensagens ligados a Vorcaro ainda está em curso e pode influenciar decisões relevantes, desde medidas cautelares e prisões até a definição sobre onde o processo deve tramitar — no STF ou em instâncias inferiores — a depender dos vínculos e conexões que forem identificados.
A Band já havia noticiado, em fevereiro, que a perícia nos celulares poderia ser determinante para o rumo do caso. Agora, o ponto que ganha destaque é o caráter ainda incompleto dessa apuração digital, com a análise descrita como parcial e restrita a uma fração do conteúdo disponível.
Paralelamente, avança a discussão sobre quando e como o material extraído chegou ao STF e quem teve acesso a ele em cada fase do inquérito, em meio a mudanças de relatoria e questionamentos públicos. Informações específicas sobre o percentual de conteúdo já examinado — citado em reportagens como em torno de 30% — e sobre o uso da expressão “gota no oceano” seguem em verificação em fontes abertas, diante da impossibilidade de checar integralmente a publicação original que trouxe esse recorte.
Disputa sobre acesso e custódia no STF
Em nota de gabinete, o ministro Dias Toffoli afirmou, segundo registrado na imprensa, que não teve acesso ao conteúdo extraído dos celulares enquanto foi relator do caso e que o material só teria sido enviado ao STF em 12 de fevereiro de 2026, já sob relatoria do ministro André Mendonça. O relato indica um ponto sensível na cadeia de custódia e no fluxo de informações entre a PF e o Supremo.
Outro veículo, o Poder360, descreve o contexto de atritos entre a Polícia Federal e decisões do STF sobre o destino e a guarda do material apreendido, além de informar que procurou a PF para comentar a nota e não obteve resposta até o momento da publicação. Esse ambiente reforça a dimensão institucional do embate em torno dos dados coletados.
Consequências para a investigação e para a Justiça
Perícias em meios digitais são consideradas peças-chave para confirmar autoria, vínculos, cronologia dos fatos e eventuais tentativas de obstrução. Quando apenas parte do conteúdo é analisada, como no caso descrito como “gota no oceano”, aumenta o risco de conclusões apressadas antes de o conjunto probatório estar completo.
No plano processual, a controvérsia sobre quem guarda, quem pericia e em que momento o material chega ao STF pode alimentar disputas institucionais e abrir espaço para questionamentos formais da defesa e de outros atores do sistema de Justiça. Definições sobre competência — se o caso permanece no Supremo ou desce para instâncias inferiores — também tendem a ser influenciadas pelo que for encontrado (ou não) nos celulares.
Reportagens mencionam ainda desdobramentos em Minas Gerais e São Paulo, com diligências e endereços ligados a investigados, além de episódios em aeroportos e medidas de apreensão de aparelhos e outros itens, conforme noticiado pelo Metrópoles.
O que pode acontecer a seguir
A expectativa é que novos despachos judiciais e relatórios técnicos, parciais ou finais, sejam incorporados ao inquérito, com impacto potencial sobre prisões, buscas, bloqueios de bens e definição de competência.
Também é aguardada alguma manifestação oficial da PF e de outros órgãos envolvidos sobre o andamento das perícias e a cadeia de custódia do material apreendido, tema que já se mostrou sensível em coberturas anteriores.
A apuração jornalística deve acompanhar, especialmente: futuros atos do relator no STF; posicionamentos da PF e da PGR; e a confirmação, em fontes verificáveis, do estágio real de análise do conteúdo do celular de Vorcaro — hoje descrito como parcial e ainda distante de abranger todo o material disponível — e do que permanece pendente de perícia.