Ações da Petrobras despencam na B3 após anúncio de cessar-fogo entre EUA e Irã e tombo do petróleo

Papéis da estatal caíam até 8,48% na manhã de 8/4, enquanto WTI e Brent recuavam mais de 15% no mercado internacional

08/04/2026 às 11:37 por Redação Plox

As ações da Petrobras negociadas na B3 registravam fortes perdas no pregão desta quarta-feira (8/4), um dia após o anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã no conflito do Oriente Médio. O movimento ocorre em meio ao recuo das cotações internacionais do petróleo, pressionadas pela trégua.

No fim da manhã, os papéis ordinários e preferenciais da estatal operavam entre as maiores quedas da sessão, refletindo a piora no preço da commodity.


Afetados pelo recuo nos preços internacionais do petróleo com a trégua na guerra, os papéis da Petrobras operavam no vermelho nesta quarta

Afetados pelo recuo nos preços internacionais do petróleo com a trégua na guerra, os papéis da Petrobras operavam no vermelho nesta quarta

Foto: Freepik


Petrobras lidera baixas após recuo do petróleo

Por volta das 10h55 (horário de Brasília), as ações ordinárias da Petrobras caíam 8,48%, negociadas a R$ 49,02. No mesmo horário, os papéis preferenciais recuavam 6,64%, cotados a R$ 45,29.

Às 11h10 (de Brasília), o contrato futuro do barril de petróleo do tipo WTI para maio, referência do mercado norte-americano, desabava 17,77% e era negociado a US$ 92,88. Já o contrato futuro do Brent para junho, referência internacional, recuava 15,55%, a US$ 92,28.

Trump anuncia trégua de duas semanas e condiciona acordo ao Estreito de Ormuz

Na noite de terça-feira (7/4), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a suspensão de bombardeios e ataques contra o Irã por duas semanas, após conversas com autoridades do Paquistão. Segundo Trump, a decisão veio após tratativas com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército do país, Asim Munir.

Concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas. Este será um cessar-fogo bilateral

Donald Trump

O cessar-fogo, classificado por Trump como bilateral, está condicionado à reabertura “completa, imediata e segura” do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é descrito como crucial para a economia global.

De acordo com Trump, Washington recebeu uma proposta de dez pontos do Irã, considerada uma “base viável” para um acordo mais amplo. Ele afirmou que os Estados Unidos já teriam atingido os objetivos militares e que um acerto definitivo estaria próximo.

Irã fala em “derrota histórica” dos EUA e condiciona avanços à interrupção total de ataques

O Irã afirmou, por meio do Conselho Supremo de Segurança Nacional, que os EUA sofreram uma “derrota inegável, histórica e esmagadora” no contexto do conflito recente entre os dois países e aliados no Oriente Médio. A declaração sustenta que Teerã teria obtido vantagem estratégica após semanas de confrontos e consolidado apoio interno e entre grupos alinhados ao chamado “eixo da resistência”.

Segundo o comunicado, ações militares e diplomáticas combinadas teriam levado Washington a considerar um cessar-fogo e negociações em termos favoráveis ao Irã. O texto também diz que qualquer avanço rumo à trégua dependeria da interrupção total dos ataques contra o território iraniano e que as forças do país suspenderiam operações “defensivas” caso cessassem as ofensivas externas.

Em outro trecho, a nota afirma que adversários “sonhavam” em dividir o Irã e saquear suas riquezas, mencionando o petróleo.

Paquistão diz que acordo inclui trégua “em todos os lugares”, com menção ao Líbano

O acordo de cessar-fogo temporário também incluiria o Líbano, que foi alvo de ataques durante o conflito, segundo informação atribuída ao primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, apontado como mediador das negociações.

Em comunicado nas redes sociais, Sharif declarou que as partes concordaram com uma trégua imediata “em todos os lugares”, incluindo o território libanês e outras frentes do conflito. Ele também agradeceu às lideranças de ambos os países e destacou o que chamou de postura “sábia” e construtiva para avançar rumo à paz.

Ataques seguem em algumas regiões apesar do anúncio

Apesar do cessar-fogo de duas semanas, ataques continuaram a ser registrados na madrugada desta quarta-feira. O acordo não especificou o horário em que as ações deveriam ser interrompidas e, com isso, países do Golfo continuaram a relatar interceptações de mísseis iranianos.

Em Israel, três garotos sofreram ferimentos leves após uma munição de fragmentação iraniana atingir a cidade de Tel Sheva, no sul do país. Um porta-voz militar israelense disse à CNN que Israel continua realizando ataques aéreos no Irã. O Líbano também seguiu sendo bombardeado por Israel, e um ataque aéreo israelense atingiu uma ambulância na cidade de Qlaileh, perto da cidade costeira de Tiro.

Mais tarde, Israel publicou um comunicado dizendo concordar em parar os ataques. No entanto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o acordo não se estende ao Líbano.

Leitura do mercado aponta busca por risco, mas sem fim das incertezas

Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o cessar-fogo entre EUA e Irã incentiva uma busca “por ativos de risco após semanas de volatilidade intensa e aliviando a taxa de câmbio com a desmontagem de parte das posições de proteção do mercado”.

Na avaliação dela, a queda do petróleo reduz parte do temor de inflação persistente e alivia os juros futuros. Zogbi também afirma que o ouro apresenta retomada, com aumento da atratividade relativa na comparação com “treasuries”, e com expectativa de retorno de fluxo advindo de bancos centrais.

Ao mesmo tempo, ela ressalta que o cessar-fogo não significa necessariamente o fim das incertezas e que o tom dos líderes envolvidos ainda indica tensões significativas. Para ela, aproveitar oportunidades não elimina a necessidade de proteção no portfólio, e a diversificação entre classes, teses, moedas e geografias permanece fundamental.

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