Galípolo confirma reunião com Lula e dono do Banco Master e nega atuação no caso
Presidente do BC disse à CPI do Crime Organizado que recebeu orientação para agir de forma técnica e que apenas encaminhou o tema para análise interna
08/04/2026 às 18:16por Redação Plox
08/04/2026 às 18:16
— por Redação Plox
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou que se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024. O economista prestou depoimento como convidado da CPI do Crime Organizado no Senado, nesta quarta-feira (8).
CPI do Crime Organizado (CPICRIME) realiza oitiva do presidente do Banco Central do Brasil
Foto: • Saulo Cruz/Agência Senado
Galípolo relata orientação de Lula e nega atuação pessoal no caso
Ao relatar o episódio, Galípolo negou ter atuado pessoalmente no caso do Master junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Palácio do Planalto. Segundo ele, sua participação se limitou a encaminhar o tema ao diretor de fiscalização do Banco Central para uma análise técnica.
Recebi a orientação [do presidente Lula]: ‘Seja técnico, o mais técnico possível. Não proteja ninguém, não persiga ninguém’
Gabriel Galípolo
O presidente do BC também afirmou que a reunião foi marcada por uma narrativa de que o Banco Master estaria sendo perseguido pelo mercado financeiro, sob o argumento de que seus métodos inovadores estariam incomodando concorrentes. Para Galípolo, essa versão não se mostrava proporcional ao porte da instituição, que, conforme disse, era responsável por 0,5% dos ativos do sistema financeiro.
Liquidação do Master e desdobramentos da operação
A liquidação do Master foi determinada em novembro do ano passado como desdobramento da operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. A liquidação extrajudicial é um mecanismo adotado pelo Banco Central quando uma instituição financeira é considerada em situação irrecuperável.
Venda de CDBs e aplicação em carteiras falsas, segundo relato
Com a falência no radar, o Master passou a vender Certificados de Depósito Bancários (CDBs) com rendimentos descritos como irreais, bem acima da média de mercado. De acordo com o relato, o banco usava os recursos para aplicar em carteiras de crédito falsas e em ativos de extremo risco.