Lula critica Flávio Bolsonaro e Caiado ao defender processamento de terras raras no Brasil
Em entrevista, presidente disse que minerais são estratégicos para a industrialização e alertou para riscos à soberania em acordos com empresas estrangeiras
08/04/2026 às 12:57por Redação Plox
08/04/2026 às 12:57
— por Redação Plox
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta quarta-feira (8/4), declarações e iniciativas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), ambos pré-candidatos à Presidência da República, ao comentar a exploração de terras raras no Brasil.
Em entrevista ao ICL Notícias, Lula afirmou que minerais como terras raras são essenciais para a produção de tecnologias, como baterias de carros elétricos e componentes eletrônicos. Segundo ele, esses recursos devem ser usados para impulsionar a industrialização no país, e não vendidos apenas como matéria-prima.
Presidente Lula
Foto: crédito: Ricardo Stuckert/PR
Terras raras e industrialização entram no centro do debate
Ao tratar do potencial brasileiro, o presidente disse que apenas 30% do território nacional foi pesquisado e que, nessa área, o país teria 23% de terras raras, o que colocaria o Brasil como o segundo país do mundo nesse tipo de recurso.
É um resíduo que tem na terra e o Brasil só tem 30% pesquisado do seu território e nesses 30% a gente tem 23% (de terras-raras). É o segundo país do mundo. A hora que a gente pesquisar tudo, a gente vai ter muita coisaLula
Lula também disse que países desenvolvidos demonstram interesse nesses insumos e citou a possibilidade de parcerias, desde que incluam o processamento dentro do Brasil. No mesmo contexto, criticou a exportação de matéria-prima e comparou a ideia à venda do petróleo nacional.
Críticas a Flávio Bolsonaro e a acordos em Goiás
O presidente afirmou que Flávio Bolsonaro defende a venda desses recursos aos Estados Unidos e voltou a criticar o que classificou como entrega de um ativo estratégico.
Na mesma linha, Lula mencionou ações do governo de Goiás e disse que o estado teria firmado acordos com empresas estrangeiras em temas que, segundo ele, são de competência da União. Ele se referiu ao memorando de entendimento com o governo dos Estados Unidos sobre minerais críticos, que prevê, entre outros pontos, o mapeamento do potencial mineral de Goiás. À época, a gestão informou que as atividades estavam condicionadas à legislação brasileira.
Soberania e disputa política
Ao concluir, Lula afirmou que, sem cautela, o país pode colocar em risco seus interesses estratégicos. Ele também criticou o que chamou de submissão a interesses externos e disse que o tema deve seguir no centro do debate político sobre soberania e desenvolvimento econômico.