Minas Gerais é o primeiro estado do país a rastrear gratuitamente 64 doenças no Teste do Pezinho

Triagem neonatal ampliada chega às UBS dos 853 municípios e antecipa etapas da Lei Federal nº 14.154/2021, com foco em diagnóstico e tratamento nos primeiros dias de vida

08/04/2026 às 19:15 por Redação Plox

Minas Gerais se tornou o primeiro estado do país a oferecer, de forma gratuita, o rastreamento de 64 doenças por meio do Teste do Pezinho. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, a triagem neonatal ampliada já é realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos 853 municípios, com acesso perto da casa das famílias mineiras.


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Com a ampliação, o estado passa a ofertar um dos painéis mais completos do país na rede pública, incluindo doenças raras, metabólicas, infecciosas, imunológicas e genéticas. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento ainda nos primeiros dias de vida, reduzindo o risco de complicações graves e melhorando o prognóstico das crianças.

Ao antecipar etapas da Lei Federal nº 14.154/2021, o Governo de Minas amplia a triagem neonatal enquanto outros estados avançam de forma gradual. Com isso, Minas passa a garantir acesso universal ao exame ampliado em todo o território.

A política é coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), em parceria com o Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (Nupad/UFMG), responsável pela análise das amostras.


Ampliação reforça diagnóstico precoce e tratamento imediato

O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, afirma que a ampliação tem impacto direto na vida das crianças e das famílias mineiras.

Minas Gerais assumiu o compromisso de ampliar a triagem neonatal e hoje garantimos que todas as crianças tenham acesso ao Teste do Pezinho ampliado.

Fábio Baccheretti

Segundo ele, a mudança fortalece a identificação de doenças logo no início da vida e contribui para intervenções no tempo adequado, com reflexos na qualidade de vida.

Capilaridade e estrutura de ponta no estado

Para garantir o acesso em todas as regiões, Minas Gerais estruturou uma rede com 4.109 pontos de coleta, distribuídos entre UBSs, maternidades públicas e unidades de apoio.

Essa capilaridade permite a realização de cerca de 1,1 mil testes por dia, com envio ágil das amostras ao laboratório de referência. A logística integrada busca assegurar que até os municípios mais distantes realizem o exame no tempo adequado.

Para sustentar a ampliação e manter a qualidade do serviço, o Governo de Minas investe, em média, R$ 64 milhões por ano no Programa de Triagem Neonatal de Minas Gerais (PTN-MG). Os recursos são aplicados na ampliação do exame, qualificação das equipes, transporte das amostras e acompanhamento das famílias.

Foto: Fabio Marchetto / SES-MG


Do diagnóstico ao acompanhamento especializado

O Teste do Pezinho identifica doenças que podem não apresentar sintomas ao nascimento, mas que podem evoluir rapidamente sem intervenção precoce. A coleta é simples e segura, feita preferencialmente a partir de gotas de sangue do calcanhar do bebê. Em situações específicas, também pode ocorrer por punção venosa, no braço ou na mão, sem prejuízo à qualidade do exame.

Em Minas Gerais, o programa inclui o encaminhamento imediato de casos suspeitos para exames confirmatórios e início do acompanhamento especializado. O modelo integra a atenção primária, os serviços especializados e a rede hospitalar, com o objetivo de garantir a continuidade do cuidado.

A referência técnica de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência e Doenças Raras da SES-MG, Verônica Mello, reforça a importância da estratégia e destaca o papel da triagem neonatal na identificação de doenças raras.

Números e histórias que mostram o impacto

Entre 2019 e 2025, mais de 1,4 milhão de crianças foram triadas em Minas Gerais, com 2.522 diagnósticos confirmados. Desde a criação do programa, em 1993, já foram realizados mais de 7 milhões de testes e identificados 8.493 casos, possibilitando o início precoce do tratamento e a redução de complicações graves.

A dona de casa Bárbara dos Santos, de 36 anos, relata a experiência com a filha Maria, de 3 meses. A bebê fez a coleta com três dias de vida e, após uma alteração inicial, a família foi rapidamente chamada para repetir o exame.

O resultado final descartou a suspeita, mas, para Bárbara, a agilidade no retorno reforçou a confiança no atendimento. “Receber a ligação pedindo para repetir o teste é assustador, mas a rapidez faz toda a diferença. Saber que existe um acompanhamento e que há tempo para agir traz segurança para a gente”, relata.

Foto: Rafael Mendes / SES-MG


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