PDV dos Correios tem 3.075 adesões e fica abaixo da projeção de 10 mil

Prazo para participação terminou nesta terça (8) sem prorrogação; empresa estima economia de R$ 1,4 bilhão a partir de 2027 dentro do plano de reestruturação

08/04/2026 às 20:11 por Redação Plox

Um total de 3.075 empregados dos Correios aderiu ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) de 2026. O número equivale a 30,7% do público-alvo, abaixo da projeção inicial da estatal, que estimava a adesão de 10 mil profissionais neste ano.

O prazo para participar do programa terminou nesta terça-feira (8) e, segundo a empresa, não será prorrogado. Com o balanço final de adesões, os Correios projetam uma economia de cerca de R$ 1,4 bilhão já em 2027.


Plano de Demissão Voluntária dos Correios está abaixo da projeção inicial.

Foto: Joédson Alves / Agência Brasil


PDV integra plano de reestruturação até 2027

O PDV faz parte do Plano de Reestruturação dos Correios 2025–2027, voltado à recuperação da sustentabilidade financeira, à otimização da rede operacional, à eficiência logística e ao reposicionamento competitivo da estatal.

A expectativa dos Correios é que o PDV, somado a outras medidas implementadas no primeiro trimestre, gere uma economia adicional de R$ 508 milhões anuais. Em dezembro do ano passado, a empresa pública obteve um empréstimo de R$ 12 bilhões para financiar a reestruturação e, à época, projetou uma redução de R$ 5 bilhões em despesas até 2028.

Plano prevê fechamento de agências e leilões de imóveis

Dentro do plano de reestruturação, os Correios preveem fechar 16% das agências da companhia — cerca de 1 mil das 6 mil unidades próprias no país. A direção da estatal estima que os leilões reduzam custos de manutenção de imóveis ociosos e arrecadem até R$ 1,5 bilhão para investimento.

Em fevereiro, a empresa realizou o primeiro leilão de imóveis próprios. A oferta inicial incluiu 21 imóveis para venda imediata, localizados em 11 estados.

Crise financeira inclui déficit estrutural e patrimônio líquido negativo

Os Correios enfrentam uma crise financeira. O diagnóstico nas contas da empresa apontou déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões anuais, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025. Ainda não há um número fechado em relação ao saldo do ano.

De acordo com a direção da companhia, a crise se arrasta desde 2016, atribuída às mudanças no mercado postal com a digitalização das comunicações, que substituiu as cartas e reduziu a principal fonte de receita da empresa. A estatal também relaciona as dificuldades financeiras à entrada de novos competidores no comércio eletrônico como um dos fatores da crise no setor.

Correios atendem todos os municípios e mantêm 80 mil empregados diretos

Os Correios estão presentes em 100% dos municípios brasileiros. A estrutura atual reúne 10,3 mil unidades de atendimento, considerando agências próprias e pontos de parceria, além de 1,1 mil unidades de distribuição e tratamento — centros logísticos onde encomendas e cartas são processadas após a postagem e antes da entrega final.

A estatal tem 80 mil empregados diretos e atua em serviços que incluem entrega de cartas e encomendas e a distribuição simultânea das provas do Enem em todo o território. Também é responsável pela entrega de urnas eletrônicas em locais de difícil acesso durante as eleições e pela distribuição de mantimentos e outros itens em situações de calamidade, como enchentes.

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