PF prende quatro em Goiás e apura esquema de migração ilegal aos EUA com movimentação de R$ 45 milhões
Entre os detidos está Maria Helena de Sousa Netto Costa, apontada como chefe do grupo; investigação cita transporte clandestino por países como México e Panamá e suspeita de lavagem de dinheiro.
08/05/2026 às 08:06por Redação Plox
08/05/2026 às 08:06
— por Redação Plox
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Nesta quinta-feira (7), a Polícia Federal prendeu quatro pessoas em Goiás durante uma operação contra grupos suspeitos de promover migração ilegal para os Estados Unidos. De acordo com a investigação, uma das detidas é Maria Helena de Sousa Netto Costa, apontada como chefe de um dos esquemas que teria movimentado R$ 45 milhões entre 2018 e 2023.
A PF informou que cinco grupos investigados movimentaram cerca de R$ 240 milhões no período. A polícia estima que mais de 600 pessoas tenham sido levadas ilegalmente aos EUA ao longo de mais de 20 anos. Segundo a apuração, cada migrante pagaria cerca de 20 mil dólares (aproximadamente R$ 111 mil) pelo serviço.
(imagem ilustrativa)
Foto: PF
Operação em Goiás e início das investigações
Maria Helena foi presa em casa, em Goiânia, após investigações iniciadas em 2022. Segundo a PF, um grupo de migrantes barrado no Aeroporto de Congonhas mencionou o nome dela durante depoimentos.
A polícia afirma que os suspeitos organizavam toda a logística da viagem, incluindo deslocamentos por países como México e Panamá até a entrada nos Estados Unidos.
– Ele falou aí com você, né, que eles saíram? Eles estão na metade do caminho lá, ainda. Reclamando que andaram muito, mas é assim… Eu sempre falo: “É um caminho que você anda, mas chega”
trecho de mensagens obtidas pela TV Anhanguera
Estrutura e suspeita de lavagem de dinheiro
As investigações também apontam que os grupos contavam com integrantes em outros estados e no exterior. Segundo a PF, eles atuavam na recepção de migrantes, no suporte logístico e na intermediação financeira das operações ilegais.
A polícia afirma ainda ter identificado o uso de empresas de fachada, laranjas e lavagem de dinheiro para ocultar os valores movimentados.
Relação familiar com o governador e posicionamentos
Maria Helena é sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela. O governador e a esposa não são alvos da operação. Em nota, ele afirmou que o caso não tem relação com sua família ou com o governo estadual.
A defesa de Maria Helena classificou a prisão preventiva como desnecessária e informou que aguarda acesso completo ao processo para analisar as acusações. Em nota, a defesa disse lamentar a divulgação seletiva de informações sigilosas e reafirmou confiança no Poder Judiciário.