Renda domiciliar per capita no Brasil atinge recorde e chega a R$ 2.264 em 2025, diz IBGE
Pnad aponta alta real de 6,9% em relação a 2024 e quarto ano seguido de crescimento, impulsionado principalmente pelo rendimento do trabalho e reajustes do salário-mínimo.
08/05/2026 às 14:58por Redação Plox
08/05/2026 às 14:58
— por Redação Plox
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A renda domiciliar per capita no Brasil alcançou R$ 2.264 em 2025, o maior patamar desde o início da série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), iniciada em 2012. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro, aponta crescimento real de 6,9% na comparação com 2024, já descontada a inflação.
Rendimento médio mensal das famílias brasileiras chegou a R$ 2.264 por pessoa em 2025.
Foto: José Cruz/Agência Brasil
o quarto ano consecutivo de alta
Com o avanço de 2025, o país emendou o quarto ano consecutivo de alta no rendimento médio mensal por pessoa nos domicílios. A trajetória recente mostra queda durante a pandemia e recuperação nos anos seguintes:
Para consolidar o cálculo, o IBGE apura os valores de todos os rendimentos recebidos pelos integrantes das famílias e divide pelo número de moradores do domicílio.
Foto: Reprodução/Agência Brasil
O cálculo do IBGE
O cálculo do IBGE considera a soma dos rendimentos de todos os moradores do domicílio e divide pelo número de pessoas da residência, incluindo salários e bônus, aposentadorias, pensão alimentícia, benefícios sociais, bolsas de estudo, seguro-desemprego, aluguéis e aplicações financeiras. Para o analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, o mercado de trabalho teve papel decisivo na melhora do indicador.
O valor foi puxado, em boa parte, pelo rendimento do trabalho. Ele também relaciona o cenário a níveis mínimos de desemprego no ano anterior e aos reajustes anuais do salário-mínimo.
diferenças importantes entre as unidades da federação
Os dados mostram diferenças importantes entre as unidades da federação.
Nas piores posições aparecem Ceará (R$ 1.379), Acre (R$ 1.372) e Maranhão (R$ 1.231). Por região, o maior valor pertence ao Sul (R$ 2.734), seguido do Centro-Oeste (R$ 2.712) e Sudeste (R$ 2.669). Os menores rendimentos são do Nordeste (R$ 1.470) e Norte (R$ 1.558).
Foto: Reprodução/Agência Brasil
Na composição do rendimento
Na composição do rendimento, 75,1% da média mensal veio do trabalho, e 24,9% de outras fontes. Entre os ganhos que não dependem do emprego, aposentadorias e pensões responderam pela maior parcela (16,4%), seguidas por programas sociais (3,5%), aluguel e arrendamento (2,1%), outros (2%) e pensão alimentícia, doações e mesada de não morador (0,9%). No Nordeste, a dependência de fontes fora do trabalho é maior: 67,4% do rendimento vem do trabalho e 32,6% de outras receitas; aposentadorias e pensões representam 20,4% e programas sociais chegam a 8,8%, a maior proporção do país.
A Pnad também detalhou informações individuais
A Pnad também detalhou informações individuais. Em 2025, o Brasil tinha 212,7 milhões de habitantes, com 143 milhões recebendo algum tipo de rendimento, o equivalente a 67,2% da população — recorde da série, acima de 2024 (140 milhões e 66,3%). O percentual de pessoas com renda do trabalho chegou a 47,8%, e o de quem recebeu recursos de outras fontes, a 27,1%, ambos também recordes. A aposentadoria e a pensão previdenciária foram a forma mais comum de rendimento fora do trabalho, alcançando 13,8% da população, o maior nível da série; em 2012, eram 11,7%. Gustavo Fontes atribuiu esse avanço a fatores demográficos.
Isso reflete, sobretudo, o envelhecimento populacional. Gustavo Fontes atribuiu esse avanço a fatores demográficos.
O ano de 2025 também foi de recorde
O ano de 2025 também foi de recorde no valor médio dos rendimentos individuais: a renda mensal do trabalho ficou em R$ 3.560, alta real de 5,7% frente a 2024 (R$ 3.208). Considerando todas as fontes, a média mensal foi de R$ 3.367, com expansão real de 5,4% no mesmo período. O levantamento apontou ainda que os 10% mais ricos tinham renda 13,8 vezes maior do que a dos 40% mais pobres e que 22,7% das famílias brasileiras — cerca de 18 milhões de domicílios — receberam em 2025 algum benefício social de governos federal, estadual ou municipal.