MEC e Inep prorrogam inscrições do Enem 2026 até 12 de junho; veja novas datas
Cadastro é feito pela Página do Participante; taxa segue em R$ 85 e pode ser paga até 17 de junho para quem não tem isenção. Provas seguem em 8 e 15 de novembro.
A restrição ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo, abriu uma janela de oportunidade para o Brasil no mercado global de energia. A rota, localizada entre Omã e Irã, respondeu em 2024 por cerca de 20 milhões de barris por dia, o equivalente a aproximadamente 20% do consumo mundial de petróleo e derivados, segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos.
Plataforma destinada ao Sistema de Produção do Campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos
Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil
Com a crise no Oriente Médio, compradores asiáticos passaram a buscar alternativas fora do Golfo Pérsico. A Petrobras informou que a China se consolidou como o principal destino do petróleo exportado pela estatal no primeiro trimestre de 2026, com cerca de 62% dos embarques. A Índia ficou em segundo lugar, com aproximadamente 15%.
A mudança também alterou o fluxo de vendas para outros mercados. Segundo a Reuters, a Petrobras zerou as exportações de petróleo para os Estados Unidos no primeiro trimestre, enquanto os embarques de óleo e derivados da companhia chegaram a cerca de 1,12 milhão de barris por dia, alta de 47% na comparação anual.
O Brasil chega a esse momento com produção em patamar recorde. Em abril de 2026, a produção nacional de petróleo e gás somou 5,640 milhões de barris de óleo equivalente por dia, segundo balanço da ANP divulgado pela Agência Brasil. Desse total, a produção de petróleo chegou a 4,340 milhões de barris por dia, com alta de 19,5% em relação a abril de 2025.
O pré-sal segue como principal motor dessa expansão. De acordo com a ANP, 81,8% da produção brasileira em barris de óleo equivalente saiu de poços do pré-sal em abril. Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio, responderam por quase 89% do total produzido no país.
A localização do petróleo brasileiro também passou a ser vista como vantagem em meio à instabilidade no Oriente Médio. Como a produção offshore do país sai da costa atlântica, os carregamentos não dependem do Estreito de Ormuz, rota que segue sob forte pressão geopolítica. Nesta segunda-feira (8), a Reuters informou que o estreito deve continuar aberto, mas sob novas condições discutidas por Irã e Omã, em um cenário ainda marcado por restrições severas ao fluxo de petróleo e gás natural liquefeito.
Apesar da oportunidade, especialistas do setor alertam que o Brasil não consegue ampliar rapidamente a oferta apenas por causa da demanda externa. Projetos de exploração offshore exigem investimentos bilionários, infraestrutura, licenciamento e anos de desenvolvimento até que novos campos entrem em produção.
O avanço brasileiro ocorre em um mercado cada vez mais disputado. Outros produtores fora do Golfo, como Guiana, Angola, Canadá e países da África, também tentam ganhar espaço diante da busca por fornecedores mais estáveis. Para o Brasil, a crise em Ormuz reforça a importância estratégica do pré-sal, mas também expõe o desafio de equilibrar expansão petrolífera, segurança energética, investimentos e compromissos ambientais.