Retatrutida mostra perda de até 28,3% do peso em estudo; Anvisa proíbe uso no Brasil

Resultados de fase 3 foram divulgados pela Eli Lilly e apresentados em congresso da Associação Americana de Diabetes; agência alerta para riscos de produtos irregulares vendidos na internet.

08/06/2026 às 07:10 por Redação Plox

A retatrutida, medicamento experimental da mesma família das chamadas “canetas emagrecedoras”, apresentou resultados expressivos em estudos de fase 3 divulgados pela Eli Lilly e apresentados no congresso da Associação Americana de Diabetes. Em pacientes com obesidade, a dose mais alta levou à perda média de 28,3% do peso corporal em 80 semanas. Já no estudo publicado na The Lancet com adultos com diabetes tipo 2, a perda média ficou entre 11,5% e 15,3% em 40 semanas, além de melhora no controle da glicose.


Retatrutida mostra perda de até 28,3% do peso em estudo; Anvisa proíbe uso no Brasil

Foto: Reprodução/TV Globo


Molécula tem “tripla ação”

A retatrutida age sobre três receptores hormonais: GLP-1, GIP e glucagon. Na prática, a substância atua em mecanismos ligados à saciedade, ao controle da glicose e ao gasto energético. Essa combinação é o que diferencia a molécula de medicamentos já conhecidos, como a semaglutida, que atua principalmente no GLP-1, e a tirzepatida, que age em GLP-1 e GIP.

No estudo TRANSCEND-T2D-1, voltado a adultos com diabetes tipo 2, os participantes que usaram retatrutida tiveram redução média da hemoglobina glicada de até 2 pontos percentuais após 40 semanas. A perda de peso chegou a 16,8% na dose de 12 mg, segundo dados divulgados pela fabricante.

Resultado de 28,3% foi em estudo com obesidade

O dado mais chamativo, de perda média de 28,3% do peso corporal, veio do estudo TRIUMPH-1, realizado com participantes com obesidade ou sobrepeso, e não especificamente do estudo publicado na The Lancet sobre diabetes tipo 2. Nesse grupo, 65,3% dos pacientes que usaram a dose de 12 mg deixaram de se enquadrar nos critérios de obesidade pelo IMC após 80 semanas.

A mesma divulgação também apontou redução na gravidade da apneia obstrutiva do sono e melhora em dor relacionada à osteoartrite no joelho em grupos avaliados dentro do programa de pesquisa. Apesar dos resultados, a própria fabricante ressalta que a retatrutida ainda é uma molécula em investigação e está legalmente disponível apenas para participantes de estudos clínicos.

Anvisa proíbe retatrutida de todas as marcas e lotes

No Brasil, a Anvisa determinou em janeiro a apreensão e a proibição da retatrutida de todas as marcas e lotes. Com isso, produtos anunciados com essa substância não podem ser comercializados, distribuídos, fabricados, importados, divulgados ou usados no país.

A agência alerta que produtos irregulares, fabricados por empresas desconhecidas e vendidos pela internet, não têm garantia de conteúdo, qualidade, eficácia ou segurança. A orientação é que esses medicamentos não sejam usados em nenhuma hipótese.

Mercado ilegal preocupa autoridades

A circulação irregular de canetas emagrecedoras também tem mobilizado a fiscalização na fronteira. A Receita Federal informou que, de janeiro a abril de 2026, foram apreendidas 59.027 unidades de medicamentos para emagrecer na região de Foz do Iguaçu, volume muito superior ao registrado entre maio e dezembro de 2025.

Especialistas ouvidos em reportagens internacionais destacam que os resultados são promissores, mas ainda exigem acompanhamento de segurança, comparação direta com medicamentos já disponíveis e avaliação regulatória formal. Até que haja aprovação sanitária, qualquer produto vendido como retatrutida no Brasil é irregular e representa risco à saúde.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a