Política

Alckmin diz que acordo Mercosul-União Europeia deve ser assinado nos próximos dias

Vice-presidente prevê entrada em vigor do tratado ainda em 2026, destaca peso econômico da União Europeia para o Brasil e aponta pacto como chave para investimentos, competitividade e agenda ambiental

09/01/2026 às 18:00 por Redação Plox

O acordo de parceria entre Mercosul e União Europeia deve ser assinado nos próximos dias e a expectativa do governo brasileiro é que entre em vigor ainda em 2026. A previsão foi feita pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante coletiva realizada nesta sexta-feira (9).

O vice-presidente Geraldo Alckmin

O vice-presidente Geraldo Alckmin

Foto: Agência Brasil


Alckmin classificou o tratado como o maior já firmado entre blocos econômicos no mundo. Ele destacou que, após a assinatura, o texto precisará passar pelo processo de internalização nos países do Mercosul, com aprovação de legislações próprias em cada nação para que o acordo produza efeitos internos.

Negociação em cenário internacional desafiador

O vice-presidente reconheceu que alcançar unanimidade é um desafio em pactos dessa dimensão e afirmou que, em tratados extensos, sempre surgem dúvidas e pontos a serem melhor discutidos. Para ele, o avanço das negociações demonstra que o diálogo segue como caminho possível em um cenário geopolítico internacional considerado difícil.

Durante a coletiva, Alckmin reforçou a importância econômica da União Europeia para o Brasil. O bloco foi, no ano passado, o segundo maior destino das exportações da indústria de transformação brasileira, com vendas superiores a 26 bilhões de dólares. Ele lembrou ainda que a União Europeia foi o primeiro ou segundo principal mercado externo para 22 estados brasileiros e que cerca de 30% dos exportadores do país mantêm relações comerciais com o bloco europeu.

Foco em sustentabilidade e matriz energética

Outro ponto enfatizado foi a agenda ambiental. Segundo o vice-presidente, o acordo representa um avanço significativo ao estabelecer compromissos concretos com as mudanças climáticas. Alckmin reiterou que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e citou o uso de biocombustíveis como exemplo, apontando a mistura de 15% de biodiesel ao diesel, percentual que, segundo ele, não é adotado por nenhum outro país.

Impacto em investimentos e no comércio global

Na avaliação de Alckmin, o tratado tende a estimular investimentos europeus no Mercosul e a gerar benefícios diretos à sociedade, com produtos de melhor qualidade e preços mais competitivos. Para o ministro, o avanço das negociações envia uma mensagem de que ainda é possível construir consensos e ampliar o comércio internacional mesmo em um ambiente global instável.

Ele afirmou ainda que a cerimônia de assinatura do acordo deve ocorrer provavelmente no Paraguai, país que exerce neste ano a presidência do Mercosul. Na visão do vice-presidente, a conclusão do tratado marca uma mudança estratégica na política comercial brasileira, ao substituir um período de isolamento por uma postura mais aberta ao mercado internacional.

Papel de Lula e diversificação de mercados

Questionado sobre o que foi decisivo para destravar um acordo negociado há décadas, Alckmin atribuiu o resultado ao empenho direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive durante sua atuação como presidente do Mercosul, e à mudança de postura do Brasil em relação à sustentabilidade, com compromissos considerados mais claros na agenda climática.

Ao comentar o atual cenário internacional e as tarifas praticadas pelos Estados Unidos, o vice-presidente avaliou que a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia contribui para a diversificação de mercados e para a redução de dependências, em um contexto global marcado por maior protecionismo.

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