Economia

Operação dos EUA na Venezuela agrava crise e encarece alimentos básicos

Após sequestro de Nicolás Maduro, casas e comércios fecham em Caracas, pacote de macarrão chega a US$ 12 e pesquisadora prevê aumento no fluxo de venezuelanos rumo ao Brasil

09/01/2026 às 08:35 por Redação Plox

A operação dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do líder venezuelano Nicolás Maduro agravaram a já delicada situação política e econômica do país. O clima de tensão mantém grande parte da população dentro de casa, especialmente nas principais cidades.

Pacaraima, fronteira do Brasil com a Venezuela.

Pacaraima, fronteira do Brasil com a Venezuela.

Foto: Nonato Sousa | Assembleia Legislativa de Roraima.


De Pacaraima, em Roraima, na divisa com a Venezuela, a pesquisadora e professora brasileira Mônica Simioni acompanha de perto os desdobramentos. Moradora da região de fronteira e especialista em populações fronteiriças, ela relata que, em Caracas, a capital venezuelana, o medo de novos ataques faz com que casas e comércios permaneçam fechados, reduzindo ainda mais o acesso da população a produtos básicos.

Segundo Simioni, os poucos estabelecimentos que seguem funcionando impõem preços em dólar muito acima da média. O resultado é uma oferta limitada e cara de alimentos e itens essenciais, em um cenário em que boa parte da população já tem renda bastante reduzida.

Alimentos caros e renda em queda

À reportagem, a pesquisadora contou ter recebido relatos de venezuelanos que circulam entre os dois lados da fronteira sobre os valores cobrados por produtos básicos. Em alguns locais, um pacote de macarrão chega a custar, em média, US$ 12 — o equivalente a cerca de R$ 64,66 na cotação atual. Esse preço contrasta com a renda de moradores que, em muitos casos, recebem apenas US$ 4 por semana, o que torna o acesso à alimentação ainda mais difícil.

Tem lugares em que, muitas vezes, as pessoas ganham US$ 4 por semana. Um mês de trabalho seria equivalente a um pacote de macarrãoMônica Simioni

Os dados que chegam a Simioni vêm principalmente de venezuelanos que vivem na região de fronteira entre Brasil e Venezuela e que mantêm trânsito frequente entre os dois países. Esses relatos ajudam a compor um quadro de encarecimento acelerado de itens básicos em meio à instabilidade.

Fluxo migratório deve aumentar

Diante desse contexto, a pesquisadora avalia que a tendência é de aumento no número de venezuelanos que buscam refúgio no Brasil. Ela pondera, porém, que esse crescimento não está ligado apenas ao cenário pós-ataque dos Estados Unidos, mas também a movimentos migratórios que costumam ocorrer após as festas de fim de ano.

De acordo com Simioni, já havia expectativa de que janeiro registrasse um fluxo maior de entrada de famílias. Em dezembro, muitos migrantes chegaram a mencionar a possibilidade de retorno ao país de origem para passar as festividades com parentes, reforçando o quanto o povo venezuelano é considerado muito religioso e mantém forte vínculo com as celebrações de fim de ano.

Ela ressalta que o aumento efetivo desse fluxo ainda não foi confirmado, mas que a movimentação na fronteira está sendo monitorada por um grupo de pesquisadores, atentos às mudanças provocadas tanto pela conjuntura política quanto pelas dinâmicas sociais e religiosas da população venezuelana.

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