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Economia
Fiemg vê avanço em acordo UE-Mercosul, mas pede cautela com impactos na indústria mineira
Federação mineira avalia como positivo o tratado aprovado após mais de duas décadas de negociações, mas alerta para necessidade de períodos de transição e apoio à competitividade diante da maior concorrência europeia
09/01/2026 às 13:09por Redação Plox
09/01/2026 às 13:09
— por Redação Plox
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A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) avalia como positivo o avanço do Acordo de Parceria entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado nesta sexta-feira (9) após mais de duas décadas de negociações. A entidade, porém, defende que a implementação seja acompanhada com cautela, diante dos possíveis impactos sobre a indústria mineira.
Bandeira do Brasil
Foto: Pixabay
Em nota, a Fiemg destaca que o entendimento marca um momento relevante para o comércio internacional e tem reflexos diretos na economia de Minas Gerais. O estado mantém uma relação comercial sólida e superavitária com o bloco europeu, o que, segundo a entidade, reforça a importância estratégica do acordo para o setor produtivo mineiro.
Minas mantém superávit robusto com mercado europeu
Entre 2021 e 2025, as exportações de Minas Gerais para a União Europeia somaram cerca de US$ 31 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 13,38 bilhões. O saldo positivo de US$ 17,62 bilhões evidencia, na avaliação da Fiemg, o peso do mercado europeu para a indústria estadual.
A pauta exportadora mineira para a União Europeia é concentrada principalmente em café (58%), minério de ferro (9%) e ferroligas (8%), além de insumos e bens industriais de média e média-alta intensidade tecnológica. Do lado das importações, predominam máquinas e equipamentos (27%), produtos farmacêuticos (11%) e itens do setor automotivo, sobretudo partes e peças (9%), considerados fundamentais para a modernização do parque industrial instalado no estado.
Oportunidades e riscos para a indústria mineira
Segundo a Fiemg, o acordo tende a ampliar oportunidades ao facilitar o acesso a um mercado exigente e de alto valor agregado, beneficiando setores como café, mineração, siderurgia, celulose e cadeias industriais integradas, como a automotiva e de autopeças. Ao mesmo tempo, a entidade chama atenção para segmentos mais sensíveis à concorrência externa e para atividades sujeitas a exigências sanitárias e regulatórias específicas, que podem demandar maior capacidade de adaptação.
Em posicionamento divulgado à imprensa, o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, afirma que o avanço do entendimento entre os blocos exige instrumentos de apoio para garantir competitividade e manutenção de empregos no estado.
O acordo entre a União Europeia e o Mercosul representa uma oportunidade relevante para Minas Gerais ampliar sua inserção em um mercado estratégico, com alto valor agregado. No entanto, é fundamental que a implementação considere períodos de adaptação e instrumentos de apoio à competitividade, para que a indústria mineira possa se fortalecer, gerar empregos e agregar valor às exportações
Flávio Roscoe
No mesmo comunicado, a entidade reforça a necessidade de períodos de transição e de políticas voltadas à competitividade, para que a abertura comercial contribua para fortalecer a indústria mineira, preservar postos de trabalho e ampliar a capacidade exportadora do estado.
Estudo do Ipea projeta alta do PIB brasileiro
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que o acordo Mercosul-União Europeia pode elevar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 0,46% até 2040, o que representa cerca de US$ 9,3 bilhões. A projeção é de que o Brasil tenha um ganho relativo maior que o da União Europeia, estimado em 0,06% no mesmo período, e superior também ao dos demais países do Mercosul, com alta de 0,2%.
O levantamento, elaborado no início de 2024, utilizou como referência dados e projeções de PIB do Fundo Monetário Internacional (FMI) para os anos de 2014 e 2026, e aponta o acordo como um vetor adicional de crescimento para a economia brasileira.
Indústria paulista vê marco histórico no comércio internacional
Avaliação do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) classifica o acordo Mercosul-União Europeia como um marco histórico para a economia mundial e uma sinalização em favor do comércio internacional, da previsibilidade regulatória e do multilateralismo, em um cenário global marcado por tensões geopolíticas crescentes e tendências protecionistas.
Para a entidade, ao integrar dois dos maiores blocos econômicos do planeta, o entendimento cria uma das mais amplas zonas de livre-comércio do mundo, reunindo centenas de milhões de consumidores e um PIB combinado na casa dos trilhões de dólares, o que amplia a relevância estratégica do tratado.
Segundo o Ciesp, o acordo fortalece o acesso preferencial ao mercado europeu, contribui para diversificar parcerias comerciais e estimula a integração às cadeias globais de valor. Na análise da entidade, o entendimento preserva instrumentos de política industrial, garante prazos de adaptação para setores sensíveis — como o automotivo — e cria condições favoráveis à atração de investimentos, à modernização produtiva, à inovação tecnológica e ao aumento da competitividade da indústria nacional, além de abrir espaço para maior cooperação em áreas como cultura e educação entre os dois blocos.