Governo diz que não vai reduzir juros do Minha Casa, Minha Vida mesmo com possível queda da Selic

Ministro Jáder Filho afirma que taxas do programa já estão no menor nível desde a criação; Faixa 1 tem juros a partir de 4% ao ano

09/02/2026 às 13:28 por Redação Plox

O governo não pretende reduzir os juros do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV), mesmo com a expectativa de início de queda da taxa básica Selic neste ano. A decisão foi confirmada pelo ministro das Cidades, Jáder Filho, nesta segunda-feira (9), em evento na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


'Minha Casa, Minha Vida' vai entregar mais de mil apartamentos em Teresina

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Foto: Divulgação/Governo Federal

De acordo com o ministro, as taxas do programa já estão no menor patamar desde a criação do MCMV, enquanto a Selic permanece em 15% ao ano, o nível mais alto em quase duas décadas.

Na avaliação da pasta, os resultados do programa indicam que as condições atuais de financiamento seguem adequadas ao perfil do público atendido, o que afasta, neste momento, uma nova rodada de redução dos juros.

Taxas do Minha Casa, Minha Vida em nível histórico

O ministro destacou que o programa opera hoje com as menores taxas de sua história. Na Faixa 1, voltada a famílias com renda de até R$ 2.850, os juros são de 4% ao ano nas regiões Norte e Nordeste, e de 4,25% ao ano nas demais regiões do país.

Segundo ele, os indicadores do MCMV mostram que as condições atuais de financiamento estão “atendendo à necessidade do povo brasileiro”. A projeção do governo é assinar 1 milhão de novos contratos em 2025 e repetir esse volume em 2027.

A meta da gestão federal é encerrar o mandato com 3 milhões de contratos assinados no programa habitacional.

Selic está no maior nível em quase 20 anos

Na frente da política monetária, o Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada no fim de janeiro. Esse é o maior nível desde julho de 2006.

O Copom, porém, indicou a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes já na próxima reunião, prevista para março, condicionado a um cenário de inflação mais controlada.

O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta — Copom, na decisão de janeiro

Crédito mais caro e inadimplência em alta

Os juros elevados já impactam o mercado de crédito. A taxa média cobrada pelos bancos em operações para pessoas físicas e empresas subiu 6,5 pontos percentuais em 2025, encerrando dezembro em 47,2% ao ano.

O aumento de 6,5 pontos percentuais foi o maior desde 2022, quando a taxa média de juros dos bancos havia avançado 7,8 pontos percentuais.

Com o encarecimento do crédito, o volume total de empréstimos bancários desacelerou em relação a 2024, quando havia crescido 11,5%. Ainda assim, houve expansão de 10,2% em 2025, totalizando R$ 7,12 trilhões.

Outro efeito dos juros altos foi o avanço da inadimplência. Segundo o Banco Central, a taxa média de atraso no crédito bancário fechou 2025 em 4,1%, acima dos 3% registrados no fim de 2024.

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