Bolsas globais caem e petróleo dispara com escalada da guerra no Oriente Médio

Mercados operam em aversão ao risco, dólar se fortalece e temores sobre oferta elevam WTI e Brent perto de US$ 120

09/03/2026 às 07:42 por Redação Plox

As Bolsas globais entraram em forte queda nesta segunda-feira (9), enquanto os preços do petróleo dispararam cerca de 30%, aproximando-se de US$ 120 por barril (cerca de R$ 630), em meio aos temores provocados pela guerra no Oriente Médio, que chega à segunda semana sem sinais de trégua.

Com a perspectiva de impacto do conflito sobre a economia mundial, os mercados asiáticos ampliaram as perdas acumuladas na semana anterior. A Bolsa de Seul, que vinha registrando desempenho sólido impulsionado por empresas de tecnologia antes do início da guerra, encerrou o dia em baixa de 5,96%. Em Tóquio, o recuo foi de 5,2%.


Bolsas asiáticas ampliaram perdas e ações europeias operam em queda nesta segunda (9) em meio à perspectiva de guerra prolongada do conflito com impactos sobre a economia global.

Bolsas asiáticas ampliaram perdas e ações europeias operam em queda nesta segunda (9) em meio à perspectiva de guerra prolongada do conflito com impactos sobre a economia global.

Foto: Freepik


Queda generalizada nas Bolsas

Na Europa, o movimento também foi de forte aversão ao risco. Paris caía 2,59%, Frankfurt recuava 2,47%, Londres perdia 1,57%, Madri cedia 2,87% e Milão registrava baixa de 2,71%.

Em outras praças da Ásia e Oceania, o cenário era semelhante: Hong Kong, Xangai, Taipei, Sydney, Singapura, Manila e Wellington terminaram a sessão em terreno negativo.

Em Nova York, os três principais índices de Wall Street já haviam acumulado quedas superiores a 2% na semana passada. Nesse ambiente de incerteza, o dólar voltou a se valorizar, impulsionado pela busca de ativos considerados refúgio.

Petróleo dispara com risco geopolítico

O impacto mais intenso da guerra se reflete no mercado de petróleo. Às 6h30 GMT (3h30 de Brasília), o barril do West Texas Intermediate (WTI), referência no mercado americano, avançava 15,51%, negociado a US$ 104,96. Pouco antes, havia chegado a operar em alta de 30%, a US$ 119,48 por barril.

O Brent do Mar do Norte, referência europeia, subia 17,42%, a US$ 108,82, após ter ultrapassado o patamar de US$ 119.

No mercado de gás, os contratos futuros do TTF holandês, referência para a Europa, registravam alta de 30%, a 69,50 euros (quase US$ 80).

Nos últimos dias, ataques contra campos de petróleo no sul do Iraque e na região autônoma curda, no norte do país, resultaram em cortes na produção. Emirados Árabes Unidos e Kuwait também reduziram a oferta em meio aos ataques iranianos contra seus territórios.

G7 avalia uso de reservas estratégicas

Diante da escalada dos preços, os países do G7 estudam um uso coordenado de suas reservas estratégicas de petróleo. Segundo fonte do governo francês, a proposta será discutida em videoconferência entre os ministros das Finanças.

A Agência Internacional de Energia exige que seus membros mantenham estoques equivalentes a 90 dias de importações, mecanismo pensado justamente para mitigar choques de oferta e volatilidade extrema nas cotações.

Estreito de Ormuz e risco inflacionário

O tráfego no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo, está suspenso desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. A interrupção nesse ponto estratégico alimenta o temor de que os preços da energia permaneçam elevados por um período prolongado.

Com isso, cresce o receio de uma nova onda inflacionária, com potencial para atingir a economia global e pressionar consumidores e empresas em várias regiões.

Reação política e alerta de analistas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, procurou minimizar a alta do petróleo diante da ofensiva contra o Irã e a preocupação com o programa nuclear iraniano.

O aumento de curto prazo dos preços do petróleo, que cairão rapidamente quando terminar a destruição da ameaça nuclear do Irã, é um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo. APENAS OS TOLOS PENSARIAM O CONTRÁRIO!Donald Trump

Especialistas, porém, chamam atenção para o efeito potencialmente devastador do choque energético sobre a atividade econômica mundial.

Stephen Innes, da SPI Asset Management, destacou que “o choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva” e avaliou que o petróleo acima de US$ 100 deixa de ser apenas um movimento de commodities para se transformar em um verdadeiro “imposto” sobre a economia global.

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