Dólar abre em alta com disparada do petróleo e tensão no Oriente Médio
Moeda avançava 0,52% e era cotada a R$ 5,2721; mercado também repercute Focus, payroll dos EUA e balanço da Petrobras
09/03/2026 às 09:25por Redação Plox
09/03/2026 às 09:25
— por Redação Plox
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O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (9), avançando 0,52% por volta das 9h10 e sendo negociado a R$ 5,2721. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem abertura prevista para as 10h.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: Free Pik
Petróleo dispara com crise no Estreito de Ormuz
No mercado internacional, o petróleo reage à piora das tensões no Oriente Médio após produtores como Kuwait, Irã e Emirados Árabes Unidos reduzirem a oferta diante do fechamento do Estreito de Ormuz. O barril chegou a superar US$ 110, com contratos futuros mais líquidos acima de US$ 100.
Há cerca de duas semanas, o barril era negociado próximo de US$ 70. Apenas nesta sessão, a valorização ultrapassa 13%, refletindo a continuidade dos conflitos na região e a falta de sinais de trégua no curto prazo.
Cenário geopolítico aumenta aversão ao risco
Autoridades dos Estados Unidos e de Israel discutem uma possível operação com forças especiais dentro do Irã para garantir o controle de estoques de urânio enriquecido do país.
No próprio Irã, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, foi escolhido pela Assembleia de Especialistas para suceder o pai como líder supremo, indicando a continuidade da ala mais dura no comando do país.
No Brasil, investidores monitoram a divulgação do relatório Focus, do Banco Central, que reúne as projeções do mercado para os principais indicadores da economia.
Outro ponto de atenção continua sendo o caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após novas notícias indicarem possíveis relações dele com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Desempenho recente de dólar e Ibovespa
No mercado de câmbio, o dólar acumula:
Semana: +2,97%
Mês: +2,97%
Ano: -3,68%
Já o Ibovespa registra:
Semana: -4,41%
Mês: -4,41%
Ano: +12%
Tensões no Oriente Médio voltam a ditar os mercados
A escalada de conflitos no Oriente Médio volta a guiar os mercados financeiros, em meio à preocupação com o bloqueio do Estreito de Ormuz e seus impactos sobre o fornecimento global de petróleo.
O chefe do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), almirante Brad Cooper, afirmou que o país entrou em uma nova fase da guerra com o Irã, caracterizada por um aumento drástico do poder de fogo sobre o território iraniano, com novos ataques ao programa de mísseis de Teerã e à infraestrutura do regime dos aiatolás.
À medida que transitamos para a próxima fase desta operação, desmantelaremos sistematicamente a capacidade futura de produção de mísseis do Irã, e isso já está em andamento. Isso deve levar algum tempo. Brad Cooper
Pela manhã, tanto Israel quanto os Estados Unidos anunciaram novos ataques na região.
Analistas do banco J.P. Morgan alertaram que o fechamento do Estreito de Ormuz pode começar a afetar o fornecimento global de petróleo em poucos dias. Se o bloqueio persistir, cerca de 3,3 milhões de barris diários podem deixar de chegar ao mercado.
O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, diante da falta de espaço para armazenar o petróleo e de dificuldades logísticas para exportação.
O Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações — medida acionada quando eventos fora do controle impedem o cumprimento de contratos. Fontes do setor estimam que a normalização da produção pode levar pelo menos um mês.
Com esse cenário, os preços do petróleo voltaram a subir. No fechamento da sessão, o barril do Brent, referência internacional, avançou mais de 8%, a US$ 92. O WTI, referência nos Estados Unidos, saltou 12,34%, a US$ 91,23.
Lucro da Petrobras quase triplica em um ano
Os investidores também reagem aos resultados da Petrobras, divulgados na véspera. A empresa reportou lucro de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de cerca de 200% em relação a 2024, quando havia registrado R$ 36,6 bilhões. Na prática, o resultado indica que o lucro da estatal quase triplicou em um ano.
Segundo a companhia, o desempenho foi alcançado mesmo em um ambiente considerado desafiador, marcado por queda de 14% no preço do petróleo tipo Brent ao longo do período.
De acordo com a empresa, o resultado foi sustentado principalmente pelo aumento da produção de óleo e gás e pela melhora da eficiência operacional.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou em nota que 2025 foi um ano extraordinário para a produção e que o aumento do volume de óleo e gás permitiu compensar os efeitos da queda do Brent e alcançar resultados financeiros robustos.
Economia dos EUA em foco com payroll
Na agenda internacional, o destaque fica com o payroll, relatório oficial de emprego dos Estados Unidos. Segundo dados do Escritório de Estatística do Trabalho, a economia americana fechou 92 mil vagas em fevereiro, após a criação revisada para baixo de 126 mil postos em janeiro.
O resultado contrariou as projeções de economistas, que esperavam a abertura de 59 mil vagas. Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, os ganhos de emprego em janeiro foram inflados por uma atualização no modelo utilizado para estimar o saldo de vagas ligado à abertura e ao fechamento de empresas em cada mês.
O mercado de trabalho americano está se estabilizando depois de ter tropeçado em 2025, em meio às incertezas geradas pelo tarifaço do governo Trump. A repressão à imigração também teria reduzido a oferta de mão de obra, contribuindo para a desaceleração.
Para o analista de inteligência de mercado da Stonex, Lucca Bezzon, o dado mais fraco do que o esperado reforça a percepção de que a economia dos Estados Unidos pode estar desacelerando rapidamente e aumenta a expectativa de que o Federal Reserve seja pressionado a antecipar cortes de juros.
Ele ressalta, porém, que o cenário segue incerto, com indicadores emitindo sinais contraditórios sobre o ritmo da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho permanece como uma das principais fontes de preocupação dos investidores e apresenta sinais de alguma deterioração.
Bolsa cai em Nova York, Europa e Ásia
As preocupações com o conflito no Irã seguem pesando sobre os mercados globais.
Em Wall Street, os três principais índices fecharam em queda. O Dow Jones recuou 0,93%, o S&P 500 caiu 1,33% e o Nasdaq Composite teve baixa de 1,59%.
Na Europa, os principais índices acionários também fecharam no vermelho. O índice pan-europeu STOXX 600 registrou sua maior baixa semanal em quase um ano, com queda de 1,02%, aos 598,69 pontos.
Entre as praças da região, o DAX, da Alemanha, cedeu 0,94%, o CAC-40, da França, recuou 0,65%, e o FTSE Mib, da Itália, caiu 1,02%.
Na Ásia, as bolsas da China e de Hong Kong encerraram a semana em baixa, apesar da alta registrada nesta sexta-feira. O desempenho reflete o peso dos riscos geopolíticos sobre o otimismo dos investidores e a falta de novidades relevantes na reunião parlamentar anual.
No fechamento, o índice de Xangai subiu 0,38%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores companhias de Xangai e Shenzhen, avançou 0,27%. O Hang Seng, de Hong Kong, ganhou 1,72%.
Entre os demais índices da região, o Nikkei, de Tóquio, avançou 0,6%, e o Kospi, de Seul, registrou leve alta de 0,02%.