Polícia Civil investiga duas mortes após colonoscopias em clínica particular de Cerejeiras (RO)
Casos envolveram complicações relatadas como perfuração intestinal; famílias dizem que exames ocorreram na mesma clínica e com o mesmo médico, mas não há confirmação oficial de ligação entre as mortes.
09/03/2026 às 09:18por Redação Plox
09/03/2026 às 09:18
— por Redação Plox
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A Polícia Civil investiga duas mortes ocorridas após exames em uma clínica particular de Cerejeiras (RO). As ocorrências envolvem pacientes que passaram por colonoscopia e, segundo relatos de familiares, tiveram complicações graves depois dos procedimentos.
O primeiro caso a vir a público foi o de Thyago da Silva Severino, de 34 anos, que morreu em 28 de fevereiro, um dia após realizar uma colonoscopia. Depois da repercussão, a família de Alzery Geraldo de Souza também procurou a polícia e denunciou que ele morreu dias depois de fazer exames na mesma clínica, em setembro de 2025.
Alzery Geraldo e Thyago da Silva Severino
Foto: Reprodução/acervo pessoal
Quem são os pacientes investigados
Um dos pacientes é Thyago da Silva Severino, de 34 anos, que morreu em 28 de fevereiro, um dia depois de se submeter a uma colonoscopia em uma clínica particular de Cerejeiras (RO).
O outro caso é o de Alzery Geraldo de Souza, que morreu em 30 de setembro de 2025, cerca de dez dias após passar por uma colonoscopia e uma endoscopia na mesma unidade de saúde, segundo a família.
O que teria acontecido com Thyago
De acordo com familiares, Thyago fazia acompanhamento médico regular por ter síndrome nefrótica, condição que exige monitoramento constante.
Os parentes relatam que, durante a colonoscopia realizada em 27 de fevereiro, houve uma perfuração no intestino, o que levou o médico responsável a interromper o procedimento.
Após o exame, Thyago foi levado ao Hospital São Lucas, em Cerejeiras, e posteriormente transferido para o Hospital Regional de Vilhena. Ele passou por cirurgia e foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu e morreu no dia seguinte.
O que a família relata sobre o caso de Alzery
Segundo a família, logo após concluir os exames, Alzery começou a sentir fortes dores na barriga ainda dentro da clínica.
Os parentes afirmam que ele precisou de ajuda para se vestir antes de sair do local, devido à intensidade da dor.
Ainda conforme o relato familiar, o médico teria prescrito apenas um medicamento para dor e liberado o paciente.
Com o agravamento do quadro, Alzery foi encaminhado ao hospital de Cerejeiras e, em seguida, transferido para Vilhena, onde passou por uma tomografia.
De acordo com os familiares, o exame indicou perfuração no intestino, e os médicos informaram que seria necessária uma cirurgia de emergência.
Após o procedimento cirúrgico, Alzery entrou em coma e permaneceu internado por cerca de dez dias na UTI. Ele morreu em 30 de setembro de 2025.
Ligação entre as duas mortes
As famílias apontam que os exames foram realizados na mesma clínica e pelo mesmo médico. Até o momento, não há confirmação oficial de que exista relação entre as duas mortes, apenas a investigação em andamento.
O que dizem as famílias dos pacientes
A família de Thyago afirma ter registrado denúncia para que sejam apuradas as circunstâncias do procedimento e eventuais responsabilidades.
A gente não tem nenhuma intenção de vingança. Queremos esclarecimento. Se ficar comprovado que foi algo inevitável, vamos ficar em paz. Mas, se houver culpa do médico, também queremos responsabilização
– irmão da vítima
Os familiares de Alzery também registraram boletim de ocorrência e pedem que o caso seja investigado pelas autoridades.
Como anda a investigação da Polícia Civil
A Polícia Civil informou que instaurou inquérito para apurar o caso e requisitou o prontuário médico completo de um dos pacientes.
A investigação deve analisar as circunstâncias dos procedimentos e se houve alguma irregularidade no atendimento prestado.
Posicionamento da clínica, do médico e do Cremero
O g1 informou ter procurado o médico responsável pelos exames e a clínica citada pelas famílias, mas não obteve resposta até a última atualização das reportagens.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Rondônia (Cremero) comunicou que tomou conhecimento do caso e que as informações serão avaliadas pelos setores competentes.
O órgão ressaltou que eventuais investigações têm caráter sigiloso, motivo pelo qual não pode comentar detalhes neste momento.