Polícia apura denúncias de violência sexual envolvendo o grupo de jovens ligado ao estupro coletivo em Copacabana

Estudante de 17 anos diz ter sido violentada por quatro homens e um menor em apartamento em Copacabana; outras jovens procuraram a polícia após a repercussão

09/03/2026 às 08:37 por Redação Plox

A violência que atingiu uma família no fim de janeiro se transformou em um caso que expõe um ciclo de abusos sexuais atribuídos, segundo a polícia, a um mesmo grupo de jovens do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. A estudante de 17 anos, violentada por quatro homens e um menor de idade em um apartamento em Copacabana, rompeu o silêncio — e, ao fazer isso, encorajou outras adolescentes a relatar que viveram situações semelhantes com os mesmos suspeitos.

O programa Fantástico teve acesso aos depoimentos da família, de outras vítimas e a documentos da investigação.


Imagens mostram os suspeitos celebrando no elevador.

Imagens mostram os suspeitos celebrando no elevador.

Foto: Reprodução/Fantástico


Família descobre o crime e descreve impacto da violência

O irmão da adolescente foi a primeira pessoa a quem ela conseguiu pedir ajuda. Segundo ele, a irmã enviou uma mensagem pedindo socorro e dizendo achar que havia sido estuprada.

A avó, que tem a guarda da jovem, também relatou o choque ao ouvir o que havia acontecido. Ela contou que a neta pediu desculpas, e que respondeu que a menina não tinha culpa. Ao ajudar a adolescente a levantar o vestido, a avó viu hematomas graves pelo corpo, em várias partes, e disse ter ficado apavorada ao perceber a intensidade das marcas.

O estupro ocorreu em 31 de janeiro. A estudante foi convidada ao apartamento por um colega de escola, um menor de 17 anos, com quem já havia se relacionado. O imóvel pertence à família de um dos suspeitos.


Colégio Pedro II afirmou que todas as denúncias são acolhidas e que abriu processo disciplinar

Colégio Pedro II afirmou que todas as denúncias são acolhidas e que abriu processo disciplinar

Foto: Fantástico


O que mostram as imagens e o relato da vítima

Imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação no prédio: às 19h24, três dos cinco jovens entram no edifício; às 19h25, a vítima chega acompanhada do menor.

De acordo com o depoimento da adolescente, ela foi levada ao quarto para namorar com o menor. Nesse momento, os outros quatro jovens entraram no cômodo. Ela afirmou que recusou todas as tentativas de convencimento para manter relações com os amigos do garoto. Em seguida, segundo o relato, foi imobilizada, e a porta foi trancada.

O depoimento aponta que, por cerca de uma hora, os cinco se revezaram nas agressões sexuais e físicas. O delegado responsável pelo caso afirmou que as lesões confirmadas pelo IML são compatíveis com o relato da vítima.

Após o crime, as câmeras do prédio registraram o menor e a adolescente deixando o apartamento. No elevador, os suspeitos aparecem celebrando.

Menor volta à rotina escolar e novas denúncias surgem

Depois do estupro, o menor de 17 anos continuou frequentando o colégio e, segundo a família, passou a rondar a irmã mais nova da vítima, uma menina de 12 anos.

Com a repercussão do caso, outras vítimas procuraram a polícia. Uma mãe relatou que a filha, então com 14 anos, foi violentada por parte do mesmo grupo de jovens. Segundo ela, a adolescente contou ter sido alvo de dois deles, e mencionou ainda um terceiro, maior de idade, que não aparece entre os suspeitos inicialmente apontados. A mãe disse ter ouvido da filha que os agressores teriam feito a mesma coisa com ela três anos antes.

Outra jovem, hoje maior de idade, afirmou ter sido abusada em uma festa por um dos acusados que estão presos. Ela descreveu ter sido pressionada a praticar sexo oral, recusado repetidas vezes, e relatou que, já muito fraca, acabou caindo enquanto o agressor forçava o ato. A jovem disse nunca ter contado o que aconteceu por não conseguir assimilar o trauma — até se deparar com o caso da estudante de 17 anos.

Colégio é acusado de ignorar sinais e abre processo disciplinar

A mesma jovem acusa o Colégio Pedro II de ter ignorado sinais anteriores de problemas envolvendo o grupo. Em nota, a instituição afirmou que todas as denúncias são acolhidas e que instaurou um processo disciplinar, que pode resultar no desligamento compulsório dos envolvidos.


Suspeitos de estupro coletivo em Copacabana

Suspeitos de estupro coletivo em Copacabana

Foto: Reprodução/Fantástico


Situação dos suspeitos e posição das defesas

Segundo as informações da investigação:

Quatro suspeitos maiores de idade se entregaram e foram encaminhados ao sistema penitenciário. Já o menor de 17 anos foi apreendido e levado ao Degase.

As defesas dos cinco jovens negam as acusações e afirmam que vão buscar provar a inocência deles ao longo do processo.

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